16 de agosto de 2012

Um dos maiores criminosos de guerra


Em nome do "fim da guerra", em nome da "democracia" e da liberdade "dos povos" uma série de políticos preparou-se para retaliar contra um inimigo encetando, com precisão, um esquema de dissuasão a futuros adversários e com isso afirmar-se como cabecilha na discussão e na divisão do espólio humano e material que restou dessa guerra. Falo dos Estados Unidos e de um dos maiores criminosos de guerra que existiu, o presidente Harry Truman, nunca julgado pela história. Nas suas mãos, Truman, teve a oportunidade de anular o lançamento da bomba atómica (Eisenhower opunha-se ao lançamento da mesma uma vez que o Japão já estava derrotado e preparava-se a capitulação), aceitar a rendição (não condicional) do Japão, evitar a morte de japoneses inocentes, civis não armados, teve a oportunidade de escrever a palavra "paz" sem o custo de mais perdas humanas e materiais, teve a oportunidade de pensar, meditar, longe do palco de guerra, das balas, longe do stress de tomadas de posição imediatas. Mas não. No seu lustroso gabinete, nos seus jardins, na calma da sua família, a sua natureza falou e deu-se ao luxo de escolher quatro cidades alvo "que ainda não tinham sido bombardeadas", aleatórias, ficando a vida humana dependente do bom estado do tempo que a missão necessitava. No meio da imprevisibilidade do que resultaria no lançamento das bombas – os peritos estimavam para cima de 20 000 mortos – mas consciente das consequências que as radiações provocariam, Truman ponderou e decidiu pela afirmação da nação americana e pela política do seu consulado, que não queria que os russos fizessem exigências territoriais no oriente, tendo, Truman, a possibilidade de terminar a guerra apenas nos termos americanos. O extermínio que se seguiu é bem conhecido: morreram perto de 140 000 pessoas num segundo e o que as centenas de milhares de sobreviventes sofreram, durante várias gerações, ultrapassou a ficção. Não contente com os "resultados", após o lançamento em Hiroshima, três dias depois, foi lançada uma outra bomba atómica em Nagasaki.
Neste mês de Agosto, fazem 67 anos que esses extermínios ocorreram. Não vi capas de jornais, nem comentários e mesas redondas. Não vi consciências aflitas. Não li artigos sobre o "6 de Agosto de 1945" dos peritos no extermínio.


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