12 de agosto de 2012

Outra coisa qualquer


Este ano assisti a vários eventos dos jogos de Londres 2012. Amo desporto e vibro com a acção dos atletas mas cada vez mais me inibo de pensar que os jogos deviam ter o nome que tem. Chamar de "olímpicos" aos jogos da "era moderna" é uma aberração. O que aconteceu nos finais do séc. XIX, por parte do barão de Coubertian, foi a apropriação abusiva do nome de uma prestigiada prova desportiva, que se realizou entre os séculos VIII, a.c. e IV d.c., emergindo-a com uma noção de competição (materialista, porque em primeiro lugar está a contabilidade das medalhas e não o ethos do desporto) entre nações e com a inclusão das modalidades em voga na época. No fundo, o mais apropriado era ter chamado "Jogos sem Fronteiras" (nome adoptado por um conhecido concurso dos anos 80). O Olimpo está longe, os jogos nada têm de Helénicos e as regras de participação têm sofrido tantas alterações que hoje se vislumbram decadentes face ao "espírito Olímpico". A competição pelas medalhas e a fachada "vitoriosa" que os países querem transmitir faz com que um atleta de ascendência camaronêsa, pai dos Camarões, mãe da Argélia, nascido em Berlim, possa competir pela Alemanha apesar de viver em Espanha desde os nove dias de idade e actualmente treinar em Marrocos. Este exemplo é mais notório nos casos de atletas com duas ou mais "nacionalidades" e que já competiram por dois países diferentes. Toda a gente sabe dos apoios que as federações desportivas dos maiores países europeus dão a atletas emigrantes ou filhos de emigrantes. Se as regras de admissão devem ser flutuantes tal como a vida das nações então que se apelide, sem constrangimentos, outra coisa qualquer a estes jogos. Outra questão é a admissão de novas modalidades. Depois do BTT ter sido admitido estou à espera para ver quando teremos o bodyboard, skyboard, escalada, moto 4, trial, skate, ultraleve, paraquedismo, ski, playsation, pesca à linha, bilhar às três tabelas, matrecos e saltar a macaca. 

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