28 de agosto de 2012

Para percebermos como chegamos aqui temos de rever o papel da "esquerda moderna" nas últimas décadas


Entrevista a Jaime Neves:

"Fui para o Terreiro do Paço e esperei pela coluna de Santarém. Ainda vi o buraco por onde fugiu o ministro do Exército para o edifício da Marinha. Entretanto, veio o Salgueiro Maia e aí tive o meu primeiro choque. Quando estamos no meio da placa central, chega uma série de malta da Margem Sul, com bandeiras que dizem 'Nem mais um homem para África', 'Abaixo o fascismo". E eu interroguei-me: isto foi feito com tanto secretismo e já há bandeiras?
SOL: Está a dizer que havia uma articulação com o PCP?
Tinha que ser, era o único partido organizado e nós éramos uma cambada de inocentes. 
SOL: Quando vê as bandeiras e os civis o que pensou?
Que estávamos a ser enganados.
SOL: E a seguir o que fez?
Segui para a Penha de França para ocupar o quartel. Cheguei ao portão principal e saiu de lá um gajo alto com uma pistola que me diz: 'Senhor major para entrar aqui só por cima do meu cadáver'. E eu disse: 'Por cima de quê? Oh amigo, vai-te embora que eu não brinco com essas coisas'.
SOL: E ele foi?
Foi.

Revista “TABU”, Semanário “O Sol”, 02.05.2009

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