29 de agosto de 2012

Um país de escritores de pouquinhas palavras

Uma notícia diz-nos que em três meses os portugueses enviaram sete mil milhões de mensagens escritas (SMS), o que pode nos dar uma ideia de 28 mil milhões de mensagens escritas num ano! Grosso modo, a média sugere que cada português escreva 8 mensagens por dia se incluirmos os acamados, moribundos, autistas e pessoas com má visão. Como não é o caso, podemos supôr que há muitos milhares (talvez milhões) que gostam muito, muito, de escrever, escrever. Também ficamos a saber que existem 156 aparelhos (telemóveis e/ou iPad 3G) por cada 100 habitantes, o que nos coloca no top com a sugestão de que em cada duas pessoas uma tem dois telemóveis activos, para não falar nos que já deram o "berro" e estão na estante. Portugal é, assim, desde os tempos do ministro Guterres, um fenómeno de palavras escritas. Somos, afirmo-o, um país de escritores. Não posso dizer que somos um país de pensadores, de gente que pensa, mas que escrevemos muito, escrevemos, e com a variante de a escrita ter destinatários. É um "mundo" muito melhor que os livros. Um livro nunca sabe por quem e quando é lido, um telemóvel é lido sempre, mesmo que horas mais tarde. Os portugueses gostam desse "mundo", da escrita rápida, por siglas, com carinhas, boquinhas, dedinhos, desse "mundo" de leitura "já está!!!", com o descanso de se utilizarem só dois a três dedos e de se pouparem muitos os neurónios.

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