27 de setembro de 2012

Não batam no meu menino


Há uma semana assisti junto à entrada do supermercado Modelo, perto de minha casa, a dois ciganos, adultos, envolvidos numa zaragata com um jovem que não teria mais que 20 anos. Pela gritaria, este jovem não teria deixado passar à frente, na fila de pagamento do supermercado, um cigano. A mãe do jovem só gritava: "não batam no meu menino".
A questão das más condutas, da escumalha violenta, do crime gratuito ou organizado nunca pode ser amparado/desculpado por questões étnicas, sociais ou psicológicas. Este país não necessita de "SOS Racismo", necessita, carenciadamente, de "SOS Civismo".

26 de setembro de 2012

Merceeiros de lápis atrás da orelha


Desde os opinadores aos paineleiros, anónimos, politólogos, todos parecem unânimes no aplauso ao corte nas fundações aludindo que "se poderia ter ido mais longe nas extinções". Um país ressabiado, triste, meloso, falido, pobre, não discerne conscientemente, prefere o brado rápido e de mau hálito. É um facto que existem 500 e tal fundações mas podiam ser muitas mais e mais ainda. O óbice não está no número de fundações mas de quantas absorvem meios do erário público e quantas mais tem um objecto definido e válido. Mais de metade são particulares e concorreram a subsídios estipulados na lei por meio de concurso! O estado deu e deu! Na altura de estancar a hemorragia o patrão devia analisar caso a caso o que são espaços de emprego político ou familiar e o que são administrações constituídas como fundações para expedir procedimentos nesta república por demais burocrática. Considero uma afronta a extinção da Fundação Parque do Côa e da Fundação Museu do Douro. Só quem não conhece o trabalho destas instituições é que pode comparar o seu objecto a centenas de outras ocupadas por jotas ou cujo objectivo é esboroar seminários e colóquios sobre a "Liberdade", "Revolução" e outras porras assim. O conselho de ministros mostrou uma inconsciência só plausível de aceitar por inerente imbecilidade e bairrismo dos seus membros, uns verdadeiros merceeiros. São dois, únicos, museus do território com um trabalho de campo científico, técnico, de envolvimento da população, de registo e arquivo do património imaterial do Douro Património Mundial e do Parque Arqueológico do Côa. Estas duas instituições foram fundadas por vários governos (a do Côa foi batalhada pelo menos por quatro) e com o baptismo na Assembleia da República. Só na região de Vila Real perdem apoios quatro fundações que são exponenciadoras de culturas e que não usufruem de apoios por aí além se comparadas com outras congéneres de Lisboa. Se o governo queria poupar com as grandes transferências porque não teve coragem de extinguir a casa da Música ou Serralves? Porque são "cenas" contemporâneas? O papel destas "fundações" no Porto não é maior do que o papel do Museu do Douro na região do alto douro vinhateiro e ambos, os três, não concorrem entre si mas são parte do tecido material e imaterial português. Por último, o que faz com que fundações como a "Mário Soares" e da compincha Barroso tenham cortes de 30% (lápis atrás da orelha) e a Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto, que faz um trabalho reconhecido internacionalmente (leiam-se os relatórios Urban) de apoio à população carenciada da zona oriental do Porto, seja proposta para extinção?



21 de setembro de 2012

No esplendor da mediocridade


Houve um tempo em que a sociedade portuguesa se sustentava sobre quatro instituições: a Igreja, o Exército, a Universidade e a Justiça. Delas provinham o exemplo, a marca da competência, o aprumo e o serviço. Hoje, por mais que queira, sobrelevadas as excepções que se contam pelos dedos, não vejo grande diferença entre um sacerdote, um general, um catedrático ou um juíz e um jogador de futebol, uma caixeira-balconista, um manga-de-alpaca ou um repórter dos tablóides. A única igualdade que reconheço é a do mérito. A igualdade que nos impuseram - estatística, terraplanada, anti-meritocrática - exibe um ódio exterminador pela qualidade, pela diferença e pela superioridade. Este abaixamento generalizado não só impede o reconhecimento das excepções, como as combate, sufoca e anula. Estamos mergulhados no esplendor da mediocridade. Não, não é o Zeitgeist, pois por outros azimutes surgem grandes nomes. É a atmosfera em que fomos nados e crescidos. Se foi este o "país novo" que cantaram, bem podem limpar as mãos à parede. Haverá saída para isto ?


Não Miguel, não há saída. Essa, tem de ser construida, quase, de início e, temo que, por cima do cadáver da nossa pátria. O igualitarismo por decreto, a estatística acrobática, é a melhor prova do fracasso da República pois toma como seu (corpo) um conteúdo que diz respeito à natureza dos homens e à especificidade da rústicidade de cada um. O prejuízo é o mesquinhez, a inveja, a inércia ociosa, a exaltação murcha dos grávidos pelo ouvido, dos patetas obesos pelas "conquistas".


Abril-urinas-mil


Porque é que um jornalista que critica o despesismo público de uma estação pública de televisão escreve uma carta solicitando ir para os EUA como correspondente dessa estação pública? Porque a coisa pública é a toca desejada de pessoas que vivem do despesismo público, não esquecendo que, na mentalidade pós Abril-urinas-mil o despesismo público é mau quando paga a terceiros mas justo quando paga aos que críticam. Matérias crespas que mereciam "atenção e rigor".

20 de setembro de 2012

Manoel de Oliveira recusa ser homenageado na Assembleia

O caso poderia ser assim:

"O realizador Manoel de Oliveira, com 103 anos, agradeceu o gesto de ser homenageado e aceitou a simpatia mas recusou estar presente na homenagem que lhe é destinada, na Assembleia da República, pelo facto de esta ser composta por um governo, liderado por Passos Coelho, que tudo tem feito para destruir o país e as conquistas conseguidas nas últimas décadas."

Mas não foi. Fazer política à boleia de prémios e homenagens não é apanágio dos sóbrios (especialmente, quando se sensura um governo e simultâneamente aconchega-se o dinheirinho nos bolsos), muito menos num país onde não há consciências tranquilas e uma maioria tem culpa do estado calamitoso do país, seja activamente ou passivamente. 
Muitas histórias sobre a "destruição do país" poderia Manoel de Oliveira contar.




Quando passa o carteiro?


A Casa de Mateus deu o assunto por encerrado e notificou que a Maria Teresa Horta vai receber o cheque no correio! E pronto. A Teresa foi indecorosa com a Fundação que a elegeu. Devia ter recusado o prémio se não o aceitava receber das mãos de determinado indivíduo, também ele, designado para o efeito pela mesma instituição. Faz-me lembrar o Zé ao telefone de Oslo quando recebeu o Nobel: – O prémio é "nosso" mas o dinheiro é meu...!
– Quando passa o carteiro...?


Jogar pelo Seguro


Nos últimos 38 anos os políticos têm andado a brincar com coisas sérias, e a brincadeira parece não ter chegado ao fim. Se eu fosse masoquista, gostaria de ver, já, o partido socialista no poder, coligado com os comunistas, a resolver a trapalhada em que nos meteram. Mas, ou muito me engano ou o PS não está nada interessado numa empreitada que requer determinação e consciência. Prefere brincar, jogar pelo Seguro.

19 de setembro de 2012

O "pai da democracia"


O pai da democracia prossegue a educação dos seus pródigos e bastardos e diz que o presidente da república deve nomear um governo da salvação (quantos já deveríamos ter tido?) sem recurso a eleições. Como certas frases não são para levar a sério, posso considerar que o sr. Soares anda a cogitar a instabilidade governativa porque a estabilidade política não é essencial para decorrer a democracia, pelo menos esta que temos! – O governo de coligação está "moribundo", diz, em que estado estará o delator?

18 de setembro de 2012

Eu também recusaria receber um prémio das mãos de um comunista


Sempre simpatizei com a escrita da Maria Teresa Horta. É uma poetisa e uma pensadora de qualidade. Não imaginava que tinha lutado ao lado dos trabalhadores (não somos todos trabalhadores?) mas não duvido que merece este e outros prémios. Parabéns. Quanto a coerência – e atendendo às palavras de recusa em receber um prémio das mãos de Passos Coelho – não a estou a ver a conseguir descobrir um ex-ministro que não tenha responsabilidades na destruição do país. Por coerência, eu também me recusaria a receber um prémio das mãos de um comunista, alguém que não tivesse pejo em impôr aos outros uma ditadura e totalitarismo, mesmo que à custa de falinhas poéticas a favor da liberdade e dos direitos dos trabalhadores.


Tempo demais


Tendo em vista a velocidade com que as pessoas julgam os outros, as coisas e os fenómenos, o julgamento sumário do manifestante desordeiro demorou tempo demais. Os portugueses são rápidos a tecer críticas, a julgar e a punir o semelhante. Para o português nenhuma pena é justa, nenhum caso está acabado. Depois, quais chefs, têm-se o vício de misturar conceitos, ingredientes, razão, ignorância, ânsia, ódio, inveja, tudo junto numa caldeirada de juízos de valor. Tendo em conta a realidade da justiça nos nossos tribunais o julgamento dos desordeiros foi hipersónico mas nem assim os portugueses aplaudem. Foi célere porque o julgamento não transitou para tribunal mas apenas numa óptica marcial; assim fossem todos os julgamentos que envolvem crimes de sangue e de ofensa à integridade física. Contudo, a digestão desta notícia desagua na sanita dos ideais revolucionários. Mesmo que o desordeiro só tenha "interagido" com a polícia, está em causa a Liberdade, essa coisa que deve ser exaltada enquanto decorrerem manifestações para que se tenha liberdade para se fazer o que vier à cabeça. É com esta ementa que os jornalistas escrevem! Por fim, não estou de acordo que a pena seja suspensa nem com cumprimento de trabalhos sociais; sabe-me a um travo de condescendência, com pouco sal, cravo, alho porra para o faxismo nunca mais e umas pitadas de meninos à volta da fogueira.


17 de setembro de 2012

Abraçar um polícia. Adoptar um político


A jovem Adriana decidiu abraçar um polícia. Já tínhamos visto gestos e campanhas de se abraçar uma causa, mas a manifestante, de forma "espontânea" sem se aperceber das dezenas de pessoas com câmaras fotográficas, abriu uma janela de "compreensão" ainda não aberta: "Vamos abraçar um polícia!". Esta jovem de cabelos longos resolveu dar amor porque eles (a polícia) "também são do povo" e precisam de "dinheiro para alimentar os filhos". De igual modo, ela, Adriana, não acredita no dinheiro, talvez, por isso, tenha estado nessa manifestação a reclamar mais dinheiro e o fim da cobrança de dinheiro! Não sei como foi o resto do dia da Adriana mas se a luta dela é dar amor não faltavam milhares de carentes à sua volta para ela se poder exprimir e ser feliz. Adriana, não conseguiu acabar o 12º ano porque não teve nota positiva a Geometria Descritiva mas conseguiu num só gesto criar uma imagem para a futura revolução. Ela foi "a dos cravos", a próxima será "a do amor"!
Tenho tantas ilações a tirar, tanto para escrever e descrever após saber deste gesto da Adriana que só me consigo deter e ir mais longe no desenvolvimento do seu benigno acto de ultra-compreensão: abraçar um polícia, adoptar um político...

 imagem de um reporter do Expresso

A Troika e a Casa dos Segredos


O que é que o programa da Troika e o programa "Casa dos Segredos" têm em comum? Ambos apelam para o estar de olho e fazem parte de um plano em que só se desenlaça o segredo no fim do programa. Um segredo que não se sabe o que será e se tem sentido o seu valor ou sacrifício. Para já vamos vendo, aos poucos, todos os dias, a coisa a revelar-se. Tanto num caso como noutro,  promete atrair as atenções pelos intervenientes envolvidos. O Socialismo e o pseudo-Liberalismo estado-dependente obrigaram-nos a ser actores na casa da austeridade. A TVI faz o favor de revelar o moderno lusitano e pelos vistos não há crise ou manifestações que tirem os portugueses de frente da televisão, ciosos de espreitar a crise alheia.

Espaço


Desde que me sinto homem, adulto, que tenho percorrido um caminho cada vez mais remetido ao isolamento. Não sou muito sociável apesar de ter à vontade no relacionamento com o próximo, acusam-me de ser demasiado selectivo, acusam-me de ter o dom de afastar as pessoas. Nunca ninguém me acusou de ser mal criado. Cada vez mais, cada vez mais, me sinto impelido para o seio do meu núcleo familiar, felizmente. A sociedade que me envolve está ferida mas finge estar vivaça; se há uns anos atrás o tema dos "amigos" e outros menos íntimos era o "curtir", o viver sem suor, os nublosos dias que ocorrem entoam conversas de ressabiamento, de desprezo pelos sóbrios, de inveja pelos ousados; mesmo a loiras domésticas, sempre ginasticadas nos melhores ginásios, começam a aprender a falar para criticar a falta de dinheiro, a crise ou os melhores saldos para continuar a manter as boas aparências. O marambismo deu lugar à excitação intelectual sem ideias, uma excitação flácida sem objectivos de fecundação espiritual ou ética. Tantos que se juntam pelos direitos, tão poucos que se juntam pelo país. As massas não lutam pela maioria lutam por si e para si.
Ao fim de muitos anos a viver em consciência sem olhar a modas ou a maiorias, sem vergonha que me apontem por participar em práticas e interesses pouco festivos, sem pudor em falar com entusiasmo dos meus anos de acólito, sem vergonha de participar numa procissão, estar sentado num auditório vazio a ouvir falar de antropologia cultural, ou numa visita guiada pelos jardins do Porto só com 3 pessoas inscritas, sem vergonha em contrariar os argumentos da República e elogiar a monarquia mesmo que com isso muitos me façam sentir um marginal, fui construindo uma planície plantada por mim e onde florescem outras boas espécies não daninhas. É um espaço onde cultivo um reduto propício para a acústica, filtrada sem recurso a preconceitos, e, assim, consigo distinguir uma voz, de outra, de outra, uma melodia interior de uma cantilena vozeira. Talvez por isso, uma só voz me entoe mais forte, qual bomba, do que milhares de gritos e impropérios.


16 de setembro de 2012

Perguntas e respostas

Estou contra a irresponsabilidade dos gastos imorais executados pelos sucessivos governos nos últimos 38 a anos? Estou, muito, sempre estive.

Estou contra a austeridade? Estou, mas até um cego vê que enquanto falidos somos obrigados a cumprir planos de quem nos empresta dinheiro, para não haver uma guerra civil.

Estou contra as novas medidas da TSU? Estou, não percebo a lógica.

Estou agastado com a impreparada forma de anunciar as "medidas"? Estou, sendo o nosso povo marambista e situacionista convém ter cuidado com frases curtas.

Estou de acordo que devemos seguir o plano da Troika? Estou, ou isso ou a bancarrota, quero dizer, o corte de salários para 10% ou menos da função pública e pensões. Não sou funcionário público!

Estou de acordo que se deve estudar e reformular as recentes (3) medidas incluindo a revisão da TSU? Estou, mas de forma a que não se perca de vista o abatimento do défice.

Estou a ser afectado pela crise? Muito.

Estou de acordo que a manifestação de ontem encheu a baixa do Porto? Sim, pelo que me disseram, mas nada que se compare, muito aquém, às manifestações do tetra e do penta do FC Porto. Nada que se compare à missa celebrada pela sua Santidade Bento XVI.

As estradas estavam transitáveis nas principais vias do Porto? Não, uma confusão. Pelas 16h30, a VCI e via AIP estavam congestionadas por causa do acesso ao Continente e ao Norte Shopping. No sentido oeste, na Boavista e Marechal Gomes da Costa, demorei o triplo do tempo, que costumo demorar a um fim de semana, por causa dos acessos às praias da Foz, Matosinhos e da rotunda da anémona.

Estive nas manifestações? Não. Se o povo se manifestar na rua para derrubar o regime podem contar comigo, para estas manifestações do mais do mesmo, para ajudar a criar condições para a troca de partidos na governação, partidos adeptos da despesa e da hipocrisia, não contem comigo, manifesto-me de outras formas.

Estas manifestações podem dar azo a um relaxamento do governo e a um agravamento do défice, fazendo com que venha uma segunda vaga de austeridade férrea, isto porque as verdadeiras reformas estruturais demoram muito a serem feitas e acarretam sempre víctimas? Sim. Pela cara dos manifestantes, alegres e "vitoriosos" em serem muitos, a esmagadora maioria não imagina que o pior ainda está para vir se se abrir uma guerra, por incumprimento, com a Troika. Depois não vai haver tia para pedir. Como devem estar a esfregar as mãos os comunistas e os extremistas adeptos das grilhetas autoritárias!


14 de setembro de 2012

Uma aposta


Gostava de perder esta mas, aposto que as "manifestações" proclamadas por "independentes", "indignados" e jactantes do bloco de esquerda vão correr ordeiramente até a chegada das televisões.




Decadência


Uma das formas de vermos a decadência de um país é através dos índices de natalidade. Decadência porque falo sobre Portugal. Nas últimas décadas a politica ideológica foi dominada pela febre das regalias e direitos no trabalho. Parece demagógico associar essa "luta" com a questão da natalidade mas o facto de ter havido um alheamento sobre as politicas de família ante as protecções individuais veio fragilizar o cerne do desenvolvimento social que se deve sustentar na família e comunidade e, daí, cidadania. Portugal é um dos países mais envelhecidos do mundo. Ficava admirado se não o fosse. Temos um número de cidadãos com mais de 65 anos o dobro dos jovens com menos de 15 anos! Em 1981 a percentagem era exactamente a contrária! As conclusões são inúmeras e eu tenho algumas: estamos a envelhecer e isso é bom! Significa que vivemos mais tempo mas, por outro lado, estamos a "envelhecer" na comparação com os nascimentos, dito de outro modo, estamos a desaparecer! Talvez esta crise seja o momento certo para vermos um problema crítico e indisfarçável. Um país que patrocina abortos e não patrocina nascimentos é um país decadente. Paralelamente ao problema da natalidade outro se afigura pela eminência de não haver massa suficiente que aguente um "estado social". Essa nuvem pesada e negra paira, também, nos tumúltos que se ouvem de contestação às medidas do governo e tem várias origens: uma de foro financeiro, legítimo, outra de foro psicológico e de incompreensão com o mundo actual em que vivemos. Vivemos o choque de sobreposição de comportamentos civilizacionais (enquanto noção tecnológica), simultâneos, que se reciclam rápidamente. O mundo muda e os nossos comportamentos estão condicionados por factores de relacionamento social e laboral o que significa que as "lutas" de outrora não podem ser as mesmas das de hoje, até porque o modus de cada indivíduo (singular) flutua por entre valores de moda coast to coast.
Remato com as frases sábias e prudentes de Maria João Valente Rosa sobre o "figurino etário", a natalidade, o envelhecimento e o "estado social", esse bicho gordo porque os "trabalhadores" ainda lutam com foices e martelos:
Para a demógrafa, esta "bomba demográfica" - que, de resto, é extensível à Europa, apesar de Portugal ser já dos países mais envelhecidos do mundo - deveria ter já meio país a repensar o modo como nos organizamos em sociedade. "Por detrás do envelhecimento demográfico estão conquistas que ninguém quer perder - não queremos voltar a morrer mais cedo -, por isso, e sabendo que o envelhecimento está para ficar, temos que assumir que já não faz sentido continuarmos a funcionar como funcionávamos quando tínhamos uma estrutura etária jovem, em que a vida se compartimentava em três ciclos: o da formação, da actividade e da reforma. Hoje, uma pessoa com 65 anos é completamente diferente do que era há 40 ou 50 anos e não faz sentido estarmos a empurrá-la para fora do mercado de trabalho só porque atingiu aquela idade. Por que não então desacelerarmos o ritmo de trabalho ao longo da vida, até para as pessoas se poderem dedicar a outros projectos, designadamente o de ter filhos ou receber mais formação, e prolongarmo-lo na vida até mais tarde?".

13 de setembro de 2012

Pro Dignitate


Para além da imagem gráfica da "instituição" a comunicação aos leitores não perdoa o uso da fotografia da fundadora. Estou curioso para saber se vai ser extinta, deixar de ter apoios estatais ou ser-lhe retirado o estatuto de utilidade pública; tal desenlace, também, aguardo sobre a do seu marido que recebeu, só entre 2008 e 2010, 1,272 milhão de euros de apoios financeiros públicos! Talvez não. Não é provável fazerem-se cortes numa fundação onde pontua a "Dra. Maria de Jesus Barroso Soares, que iniciou em finais da década de quarenta um combate sem tréguas pelos direitos humanos, lutando nomeadamente pela liberdade de opinião e de expressão e a instauração de um regime democrático em Portugal". Um combate sem tréguas.

Canalha


De canalhização em canalhização, os activistas "anti-austeridade" dão largas ao entusiasmo. Em todas as "manifestações" contra membros do governo lá estão dezenas de sindicalistas, de esquerda. Empurram, fazem moche, riem, insultam, atiram ovos, atiram-se para cima de carros, apelam à violência. Bem sabemos como a canalha há 104 anos se aproveitou da instabilidade política para fazer o terrorismo de rua e tomar de assalto o poder. Um país que não sabe respeitar as hierarquias, dispostas com legitimidade, não sabe distinguir os caminhos da cidadania e civilidade, não reconhece o diálogo nem a construção do bem comum. Se é legitimo agredir e insultar um governante por impôr medidas contrárias à disposição dos cidadãos, ou lesivas do bem pátrio, então porque é que o sr. Soares & Comp.ª dos últimos 38 anos ainda não levaram um enxerto?


Aberrante


A forma de assacar impostos é tão aberrante, tão vil, que por estes dias vai aparecer um imposto especial para quem vestir roupa de determinadas marcas. Insólito? Não. O que pretendem fazer com o IMI é o golpe sublime dos recentes assaltos fiscais.


12 de setembro de 2012

Outono


Para quem se esquece, convém lembrar que as primaveras não duram sempre. Depois de apoiar e incentivar as revoluções primaveris, depois de ceder armamento aos libertadores, a América conhece agora a anunciante brisa do Outono árabe.


Aliviar!


Depois de ver parte da entrevista, na SIC, ao ministro das finanças, fiquei elucidado que a Troika aliviou o prazo da redução do défice com a condição do governo imprimir mais austeridade e não porque o país implementou bem as medidas iniciais.
Convém não esquecer que o estado está a viver das transferências do FMI.

Esquerda caviar


O arquitecto Vieira, interveniente do pagode e fartote das obras públicas, projectista de honorários a preceito, do quero, posso e sei, diz que há a "sensação de se viver de novo em ditadura". É sempre assim. Quando o dinheiro corre para a conta bancária há liberdade, quando não corre da mesma maneira há ditadura. É mais uma voz da esquerda ululante. Não o ouvi falar na época do cretinismo despesista, do pavimentar e construir a cada esquina com dinheiros públicos, que, aí sim, seria a boa altura para advertir os dirigentes partidários a tomarem decisões pensando no bem comum

11 de setembro de 2012

José Bénard Guedes

O dia começou bem acabou mal. Acabei de saber que faleceu José Bénard Guedes. Ainda há cerca de dois meses falei com ele para o seu atelier no Palácio dos Coruchéus. Gostava muito de conversar com ele. Portugal acaba de perder um génio artístico sem substitutos à altura da sua ciência. A bom tempo foi editada a obra "José Bénard Guedes - Obra Heráldica", editada pela Dislivro em 2005. Desde os tempos de bolseiro em Roma, o mestre investigou e estudou meticulosamente a Armaria portuguesa e europeia; entre uma obra vastíssima, fica o Inventário Artístico do Patriarcado de Lisboa, os trabalhos para o Gabinete de Heráldica Naval, os desenhos e artigos para a revista "Armas e Troféus", os desenhos heráldicos para numerosos eventos, centenas de armas para particulares e instituições públicas,  Misericórdias, as armas heráldicas para as principais Casas Reais da Europa, desenhos gráficos em numismática, medalhística, trabalhos em pedra, para além de inúmeros brasões autárquicos em Portugal. Membro do ex-Conselho de Nobreza, da Comissão de Heráldica da Associação de Arqueólogos Portugueses, do Instituto Português de Heráldica, a sua simpatia e cultura cativou e ensinou gerações no que à ciência heráldica constitui de técnica plástica, de ciência, arte e paixão.

Neste tempo de petições, marcações, manifestações, o seu nome será obrigatório no panorama toponímico de Lisboa. Espero que haja humildade e generosidade para que a sua obra seja reconhecida pela edilidade lisboeta.

Deus o guarde, caro José Bénard Guedes.

Estandarte


Aparte as recentes polémicas sobre a nacionalidade e filiação de Cristóvão Colombo (Colon), que recentes estudos dizem ser filho de D. João II e um espião ao serviço de Portugal, o que é certo é que gosto muito deste cartaz; as cores, a praia e aquele estandarte com as armas do meu país. O momento fotográfico foi protagonizado pela Região Autónoma da Madeira mas bem podia ser do Ideário Autónomo de Portugal!

10 de setembro de 2012

Assustador

Ler o professor João César das Neves deixa-me mais confiante, não porque a crise me passe ao lado, antes pelo contrário, mas porque sabe do que está a falar, sem subterfúgios ou imagens decoradas de bien savoir. Uma voz na realidade.


Sobre as PPP, esperava mais?
O conceito de parceria público-privada é extraordinariamente complicado, é uma tentativa difícil de conseguir o bom de dois lados, juntar ao interesse público a boa gestão do privado. Mas é possível conseguir o mal de dois lados, uma má gestão e ir tudo para o bolso dos privados, que em alguns casos foi o que aconteceu. O que aconteceu em Portugal é que temos mais PPP que todos os países da Europa somados. A forma como foi feito é de loucos e atingiu proporções homéricas, com coisas absolutamente assustadoras. Mas isto não tem a ver com a crise, porque as PPP este ano e no próximo dão trocos. Com as PPP, o governo anterior empenhou os seus sucessores durante décadas. É assustador ver como é que aconteceu, em democracia e com a Europa a ver…
Ainda acredita na Europa?
A União Europeia é uma impossibilidade histórica. É impossível ter 27 países unidos, portanto é uma coisa que está sempre à beira do abismo, foi assim que nasceu. Esta crise é causada pelo problema de sempre, que é um problema de solidariedade e que começa pelo abuso da solidariedade por parte dos mais fracos. A Grécia abusou, Portugal abusou, Espanha abusou escandalosamente da solidariedade dos outros, endividando-se à maluca e, no fundo, violando abertamente as regras.

Difícil


Basta de medidas, precisamos de reformas profundas na gestão do regime, na gestão governativa e da estrutura empresarial do estado. Porque é difícil fazer reformas? Porque qualquer reforma, digna de nome, que seja feita vai ter sempre adeptos contra e a favor. Ora, neste país, no caso particular de reformar a coisa pública, ser "do contra" tem sempre mais força. Daí que "reformas" só à força de lei – e não há reformadores com força de carácter só "consensoalistas" que não originam consenso algum.

8 de setembro de 2012

O funeral da República II


Depois das medidas anunciadas pelo primeiro-ministro tenho a certeza do desespero que assola a economia. Não há dinheiro. Não há garantias. Como sempre, as medidas vão na direcção da colecta imediata e, como sempre, apela-se ao sacrifício; um sacrifício vão porque não integra uma solução mas um "desenrasco". A nova guilhotina ante os cidadãos. Ao invés de proferir ideias e medidas de médio prazo, a governação está desesperada com o défice e culmatá-lo só se processa com a cobrança mensal de novos impostos para além das centenas que já existem e que nos prendem como escravos ao estado. Quem trabalhe e, principalmente, quem arrisque construir riqueza é escravo deste estado. A turba quer que os guilhotinados sejam os "ricos" ou lá o que isso seja e é, também, esta janela de definições de classes sociais que vai excitando os instigadores de conflitos e as centrais de luta de rua. Talvez, desta vez, o povo comece a olhar para trás. Tem de começar a ver. Primeiro os recentes anos, os do socialismo que não pode parar, depois mais uns anos, mais, mais. Talvez comece a ver como aqui chegamos e aí como podemos mudar, porque devemos mudar.

O funeral da República


A "artista" Miguel Januário talvez nem saiba como e porque forma foi instituída a GNR em 1910. Se soubesse saberia, saberá, que a GNR é um símbolo do poder armado do terrorismo republicano e a actuação desta "força", nos primeiros anos, foi de tal forma original que pela primeira vez assistiu-se a uma polícia cujo fito não era velar pela segurança dos cidadãos mas sim salvaguardar o regime pondo fim a todas as manifestações ou protestos, tais como a "performance" que o "artista" fez na "capital europeia da cultura". Manuel Januário quis encenar o "funeral de Portugal" e para isso chamou a GNR, só não contou que esta, sentindo-se tão bem na pele, actuasse de forma tão teatral, com salvas de tiro para o ar, fora o ar de gala. E fez bem. Que esta performance seja a autointuição do funeral da República. Portugal, esse, mesmo que amado por poucos, sobreviverá à escumalha que a tem vindo a enterrar.

7 de setembro de 2012

Os finex


A CGTP está do lado dos trabalhadores no caso "Finex Tech". Em causa estão os direitos adquiridos, universais e transversais dos ditos trabalhadores. No que respeita às indemnizações, apesar de o meu cérebro não conseguir perceber porque uma empresa deve compensar um funcionário quando está sem trabalho e sem liquidez, concordo que os trabalhadores devem ser ressarcidos; agora, quanto ao direito de a empresa sair do país, fechar, ausentar-se, ir viajar, isso não diz respeito à CGTP. Se é verdade o que o Arménio diz, que a Finex usou de modo incorrecto proveitos da segurança social, o assunto deve ser investigado e punido. Provavelmente,  a Finex ficou fina com a estadia, apreendeu o estilo finex que se pratica em Portugal. Um país que teve um Abrilex, que deixou (deixa) os politexs tomarem de assalto a economia e a justiça, que absorve esta democratex, que cultiva, como sapiência, o credo ideológico d'esquerdex, um país que acha a cunha e o compadrio fixex não pode apontar o dedo à Finex Tech só porque esta não aguentou o negócio ou decidiu abalar.

6 de setembro de 2012

Escuta-me.


Ainda não foram destruídas as escutas telefónicas gravadas no âmbito do processo “Face Oculta” e que envolvem o ex-primeiro-ministro José Sócrates. O presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha de Nascimento, ordenou, em Dezembro de 2010, a destruição imediata das referidas escutas mas pelos vistos o juiz Raul Cordeiro, que está com o processo teceu um despacho há três meses em que sugere que a coisa “será executada oportunamente”! Sabendo que parte dos juízes supremos são maçons, sabendo que parte dos espiões têm relação com a maçonaria, sabendo que a República é sabida e incontinente a escutar – esse ouvido afinado que vem da I República, com os trauliteiros, e se desenvolveu na PIDE – podemos estar descansados que os grandes orientes velarão pelos nossos direitos.
Através destes episódios, adquirimos a certeza de poder falar sem receios com telemóveis e telefones, falar mais do que a fala permite; podemos pedir para ser ouvidos, inclusive. Escuta. Escuta-me. Estou descansado.

5 de setembro de 2012

Descolonizar

O responsável pela "descolonização possível" e padrasto de várias guerras civis, que advieram em milhares de mortos,  continua com um tempo de antena alargado. Desta vez considera que "as privatizações que estão a ser feitas em vários sectores no país representam uma “gravidade estranha” e defende que “todos os patriotas têm que se juntar” para que as coisas mudem.". Eu sou patriota mas não engulo o engodo mal cheiroso de quem mistura pátria com negócios. Este político, no activo, devia apelar para uma outra descolonização, sim, descolonizar as empresas públicas doentes pela ganância, má gestão, peculato, compadrio, descolonizar os maus serviços, descolonizar a mentalidade corrupta que assombra os concursos públicos, descolonizar a assembleia de colonos oportunistas e incompetentes. A RTP está colonizada pelo sistema? Está! Faça-se a descolonização possível....


4 de setembro de 2012

Come ter


Os "jotas" (PCP-PS-PSD-CDS) andam a fervilhar com o final das universidades de verão, dos congressos e das jornadas de campo (a festa do Avante é um misto de universidade de campo com sandes e álcool à mistura), tudo a saber a "sonho" e a "esperança no futuro". De pequenos trabalhos nas associações de estudantes a amanuenses, todos os cargos contam para o curriculum e para encher página. Os "jotas" não são burros, são empurrados pelas famílias e pela força interior que os  faz pensar ser os Jedi pátrios. No actual elenco governativo andam pelo menos uns quarenta com menos de 30 anos, são adjuntos que almejam chegar a secretários, depois ministros, sempre juntos, juntos das ligações. Um profissional destas lides-jotas diz que passar pelas "jotas" evita cometer erros. Ora, eu constacto que é precisamente o erro que faz crescer, faz evoluir, molda o carácter, especialmente, saber reconhecer o erro, perante todos, saber delinear diagnosticando os erros. O "erro" de que fala este líder-jota é o desagradar ao eleitorado! No fundo, estas universidades de verão são o princípio da aparência com que se veste todo o hemiciclo; os partidos políticos confirmam – com as suas gerações mais novas – que a barriga e o bolso ocupam o espaço primordial da acção governativa, digamos, escarafunchar para o come e ter. Quanto ao discurso ideológico, com coragem e identidade, a espremedora do politicamente correcto não deixa os meninos cometer erros.

3 de setembro de 2012

Enquanto


Enquanto a imprensa noticiosa começou o dia histérica com o amuo e a tristeza de Ronaldo – que diz estar a sentir-se indesejado no Real Madrid, onde ganha, com patrocínios, perto de 14 milhões de euros/ano – os meus heróis lutam por si e por Portugal com um sorriso sempre que são interpelados pela imprensa. São meus heróis e a eles dedico o meu pensamento e almejo a sua força. São deficientes, diferentes porque colossos. Uma alegre lição para muitos que na cabeça só transportam gel.


Foto: site Galp; atleta João Fernandes, Boccia

Portugal não pode parar


O admirável mundo novo do "Portugal não pode parar" não tem parado! Enquanto isso, os deputados e ministros vão assobiando para o lado e acovardam-se em imprimir leis duras que refreiem a mortandade com medo que os dedos apontadores do complexos passados possam sugerir que estão a querer de volta o faxismo.