26 de setembro de 2012

Merceeiros de lápis atrás da orelha


Desde os opinadores aos paineleiros, anónimos, politólogos, todos parecem unânimes no aplauso ao corte nas fundações aludindo que "se poderia ter ido mais longe nas extinções". Um país ressabiado, triste, meloso, falido, pobre, não discerne conscientemente, prefere o brado rápido e de mau hálito. É um facto que existem 500 e tal fundações mas podiam ser muitas mais e mais ainda. O óbice não está no número de fundações mas de quantas absorvem meios do erário público e quantas mais tem um objecto definido e válido. Mais de metade são particulares e concorreram a subsídios estipulados na lei por meio de concurso! O estado deu e deu! Na altura de estancar a hemorragia o patrão devia analisar caso a caso o que são espaços de emprego político ou familiar e o que são administrações constituídas como fundações para expedir procedimentos nesta república por demais burocrática. Considero uma afronta a extinção da Fundação Parque do Côa e da Fundação Museu do Douro. Só quem não conhece o trabalho destas instituições é que pode comparar o seu objecto a centenas de outras ocupadas por jotas ou cujo objectivo é esboroar seminários e colóquios sobre a "Liberdade", "Revolução" e outras porras assim. O conselho de ministros mostrou uma inconsciência só plausível de aceitar por inerente imbecilidade e bairrismo dos seus membros, uns verdadeiros merceeiros. São dois, únicos, museus do território com um trabalho de campo científico, técnico, de envolvimento da população, de registo e arquivo do património imaterial do Douro Património Mundial e do Parque Arqueológico do Côa. Estas duas instituições foram fundadas por vários governos (a do Côa foi batalhada pelo menos por quatro) e com o baptismo na Assembleia da República. Só na região de Vila Real perdem apoios quatro fundações que são exponenciadoras de culturas e que não usufruem de apoios por aí além se comparadas com outras congéneres de Lisboa. Se o governo queria poupar com as grandes transferências porque não teve coragem de extinguir a casa da Música ou Serralves? Porque são "cenas" contemporâneas? O papel destas "fundações" no Porto não é maior do que o papel do Museu do Douro na região do alto douro vinhateiro e ambos, os três, não concorrem entre si mas são parte do tecido material e imaterial português. Por último, o que faz com que fundações como a "Mário Soares" e da compincha Barroso tenham cortes de 30% (lápis atrás da orelha) e a Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto, que faz um trabalho reconhecido internacionalmente (leiam-se os relatórios Urban) de apoio à população carenciada da zona oriental do Porto, seja proposta para extinção?



Sem comentários: