21 de setembro de 2012

No esplendor da mediocridade


Houve um tempo em que a sociedade portuguesa se sustentava sobre quatro instituições: a Igreja, o Exército, a Universidade e a Justiça. Delas provinham o exemplo, a marca da competência, o aprumo e o serviço. Hoje, por mais que queira, sobrelevadas as excepções que se contam pelos dedos, não vejo grande diferença entre um sacerdote, um general, um catedrático ou um juíz e um jogador de futebol, uma caixeira-balconista, um manga-de-alpaca ou um repórter dos tablóides. A única igualdade que reconheço é a do mérito. A igualdade que nos impuseram - estatística, terraplanada, anti-meritocrática - exibe um ódio exterminador pela qualidade, pela diferença e pela superioridade. Este abaixamento generalizado não só impede o reconhecimento das excepções, como as combate, sufoca e anula. Estamos mergulhados no esplendor da mediocridade. Não, não é o Zeitgeist, pois por outros azimutes surgem grandes nomes. É a atmosfera em que fomos nados e crescidos. Se foi este o "país novo" que cantaram, bem podem limpar as mãos à parede. Haverá saída para isto ?


Não Miguel, não há saída. Essa, tem de ser construida, quase, de início e, temo que, por cima do cadáver da nossa pátria. O igualitarismo por decreto, a estatística acrobática, é a melhor prova do fracasso da República pois toma como seu (corpo) um conteúdo que diz respeito à natureza dos homens e à especificidade da rústicidade de cada um. O prejuízo é o mesquinhez, a inveja, a inércia ociosa, a exaltação murcha dos grávidos pelo ouvido, dos patetas obesos pelas "conquistas".


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