18 de setembro de 2012

Tempo demais


Tendo em vista a velocidade com que as pessoas julgam os outros, as coisas e os fenómenos, o julgamento sumário do manifestante desordeiro demorou tempo demais. Os portugueses são rápidos a tecer críticas, a julgar e a punir o semelhante. Para o português nenhuma pena é justa, nenhum caso está acabado. Depois, quais chefs, têm-se o vício de misturar conceitos, ingredientes, razão, ignorância, ânsia, ódio, inveja, tudo junto numa caldeirada de juízos de valor. Tendo em conta a realidade da justiça nos nossos tribunais o julgamento dos desordeiros foi hipersónico mas nem assim os portugueses aplaudem. Foi célere porque o julgamento não transitou para tribunal mas apenas numa óptica marcial; assim fossem todos os julgamentos que envolvem crimes de sangue e de ofensa à integridade física. Contudo, a digestão desta notícia desagua na sanita dos ideais revolucionários. Mesmo que o desordeiro só tenha "interagido" com a polícia, está em causa a Liberdade, essa coisa que deve ser exaltada enquanto decorrerem manifestações para que se tenha liberdade para se fazer o que vier à cabeça. É com esta ementa que os jornalistas escrevem! Por fim, não estou de acordo que a pena seja suspensa nem com cumprimento de trabalhos sociais; sabe-me a um travo de condescendência, com pouco sal, cravo, alho porra para o faxismo nunca mais e umas pitadas de meninos à volta da fogueira.


Sem comentários: