18 de outubro de 2012

A mediatização dos Pedros


O Pedro que se vai embora deu uma entrevista à Lusa e diz que "está a ser expulso". O Pedro é novo. Se já sofreu muito na vida tenho pena, mas pela idade parece-me que acabou o curso e fez as malas. Pedro é outro dos jovens indignados a estar na berra, é mais um jovem que se acha mais lesado que os outros porque "tem um curso". As suas quinze horas de fama devem-lhe encher o curriculum que antevejo saltitante. Ao invés da poetisa Maria, o Pedro não mostrou as mamas, mostrou uma carta/missíva ao presidente da república. É mais educado. Todo este enfoque em volta dos imigrantes só me sugere que andam todos distraídos. Desde o século XV que somos um país de imigrantes. Há os que vão e ficam, há os que voltam. O Pedro devia escrever uma carta às pessoas que ama e reservá-la para si. Escrever uma carta ao Presidente a desfiar o choradinho da situação, no mesmo tom que os camaradas, é a prova de que a mudança não se fará com estes Pedros  educados a exigir sem construir, a exigir sem sacrifícios, a exigir regalias, estatutos, subsídios e bons empregos. O Pedro seria um revolucionário se escrevesse aos "trabalhadores" a exigir empregos, a exigir que se transformassem em empresários e lhe dessem um emprego. Seria um revolucionário se escrevesse ao Partido Socialista e lhes exigisse um emprego em virtude do dinheiro dos impostos que devia ser redistribuido estar a ser canalisado para pagar a monstruosa dívida do socialismo de dinheiro emprestado. O Pedro seria um visionário se exigisse do presidente a sua capitulação e a instauração de uma monarquia livre e moderna, isenta. Pode ser que o Pedro consiga ver isto, de longe, com uns bons binóculos, instalado na maior democracia que existe.



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