4 de outubro de 2012

Infalível


A ciência económica é falível por vários factores. No limite, todos os cálculos dependem do desejo do agente comprador, ou seja, por exemplo, um negócio, que gera um producto gerado pelo transformador/artífice, só se concretiza por vontades e disponibilidades. Gerir uma empresa é difícil, muito mais difícil na situação actual em que os desejos prevalecem mas a disponibilidade financeira é muito rara. Gerir um país é difícil. Gerir um país endividado ainda mais difícil é. E porquê? Porque nenhum ministro, neste momento, está preocupado em gerir o país mas sim em lançar ordenados e pensões, em desviar as sobras para os encargos com a máquina política. O país, esse, espera como até aqui tem esperado nos últimos 38 anos. O país, nos entretantos, mudou de denominação e agora é apelidado de "estado". Este moribundo terreno está impestado de gente que nunca cavou uma ideia, nunca regou uma redação, mas que acha que sabe fazer contas, isto, fazendo contas ao despesismo alucinante que o "estado" processou no orgásmico socialismo social. A contas com um défice impagável – 500 biliões de euros, fora juros –, os contabilistas vão aumentando impostos para terem caixa para transferir ordenados para a "máquina" e, assim, evitar um "novo" 25. A ciência económica é falível. Em Portugal deixou de ser ciência e passou a ser infalível tal é a previsão de derrapagem em derrapagem. Na óptica dos sociólogos e politólogos de serviço, dos defensores de piquete ao "estado social", as soluções são outras: não pagar o que devemos, aumentar salários e pensões, nacionalizar tudo, cuecas, marmitas, triciclos, o "grande capital", perseguir e humilhar os "ricos". Espero que a ciência política seja falível, também. No limite, todo um pais depende do desejo de reconhecer o passado e corrigir os erros ou só "olhar o futuro" e repetir a proeza, quase cientifica, da irresponsabilidade vigente.

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