31 de outubro de 2012

O ressabiamento é o ponteiro da balança


Porque é que o povo acha que quem possui muito dinheiro deve transferi-lo para outrém? São as "sagradas escrituras" como exemplo, neste país de laicos ateus? Pretender que quem possui deve doar implica reconhecer o mérito de quem doa. Ao invés, os artigos noticiosos sobre este tema referem com tom crítico quem foi ambicioso e com coragem para investir, quem é "rico". Só quem é "rico" é que deve ajudar e dar dinheiro? Costumo ajudar várias instituições e não somente com dinheiro mas com bens, artefactos que já não necessito, com o meu tempo. Ser generoso está ao alcance de qualquer um. O altruísmo é um valor que se possui, não se adquire com a abastança da conta bancária. A partir de que quantia eu devo ter como "obrigação" ser generoso? A partir de que "fortuna" eu sou obrigado pelo senso comum a distribuir o meu pecúlio? Estou em crer que o ressabiamento é o ponteiro da balança.


2 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro João,
como escreveu Monsenhor Moreira das Neves,

«Dar é guardar um tesouro.
Cada esmola recebida
Deus aponta em Letras de Ouro
no grande Livro da Vida.».

Mas os contemporâneos difamaram a sublime Caridade, substituindo-a pelas mais laicas Solidariedade e Redistribuição. Pondo pseudo-direitos no lugar da Esperança, estava aberto o caminho reivindicativo que extinguisse a gratidão.

Abraço

João Amorim disse...

caro Paulo

Concordo plenamente. A caridade, um dos valores mais importantes a que podemos aspirar, foi substituida pelo subsídio. Quando este acabar, vamos a ver...

abraço