31 de dezembro de 2012

Para 2013


Apesar do dobrar do ano para mim ser o Natal, às portas de um outro dia no novo calendário, desejo para os leitores esporádicos, assíduos, perdidos, deste espaço o melhor 2013 com saúde e satisfações.


30 de dezembro de 2012

Para 3013


Não por poucas vezes, sinto-me arrastado para um tempo remoto mais remoto que o meu tempo. Nesse período, onde procuro algumas razões da minha existência, encontro-me noutras paisagens e em vidas que me extravasam mas que moldam a minha natureza e o meu ter. 
Entre muitas outras coisas possuo, por herança, uma pequena argola de guardanapo, em prata, com a inscrição J S. É um objecto que me diz muito por ser um artefacto do quotidiano, tocado, muito usado. A inscrição remonta ao meu tetravô José Saldanha, nascido em 1795. Passou para a vida e uso do seu filho João Saldanha, deste para o seu filho Manuel Bento, para a minha avó Maria Amélia, para a minha mãe Maria Amélia e, por coincidência para outro J, para mim, João, e será, concerteza, para a minha filha Joana Saldanha. Esta cadeia de partilhas existe em tudo o que legamos, que nos legaram, seja um artigo seja o nosso Nome. Esta cadeia, perene quanto frágil, é a principal matéria da nossa estrutura filosófica, quase diria, um infindável pavio espiritual inflamado, reaceso, pelos que nos tocaram. É a constactação desta íntima corrente que nos permite sentir o advir transformado em imaginação. Recordar é imaginar, porventura, a mais satisfatória manifestação do intelecto. O nosso futuro é o nosso passado imaginado, tão imaginado que se quisermos podemos construir o que será a partir do que, agora, fomos.


27 de dezembro de 2012

Duas notas sobre a decadência da República Portuguesa


Nota 1) O défice demográfico nacional é assustador se comparado com os demais países europeus e um dos piores do mundo. Só no primeiro semestre deste ano ocorreram mais do dobro de óbitos do que nascimentos, em comparação com o ano todo de 2011. Não são as pessoas que estão a morrer precocemente (antes pelo contrário a esperança de vida aumentou) os nados é que não são procriados e, dos que enfim, muitos são abortados! A previsão que em 2030 seria a década da tragédia para o estado cobrador de impostos e do fim da sustentabilidade do estado-social deve ser antecipada. Os factores são inúmeros, já aqui tenho escrito em demasia, elejo o desfecho trágico da propaganda pós-25 contra os valores da família. A crise também pode funcionar como desculpa mas é muito recente e é cuspe que descola com argumentos de facto.

Nota 2) Nos inícios de novecentos Portugal tinha cinco milhões de habitantes. Na década de 40 tinha dez milhões de cidadãos....! De lá para cá não duplicamos coisa nenhuma a não ser, nos últimos seis anos, a dívida pública. A culpa é da PIDE.




Analisar


Uma das chupadorias da República vai analisar o caso "Baptista da Silva". Se estes juízos fossem tão rápidos na avaliação de descaradas patifarias parte do país podia estar a salvo. Mas não. Grandes impostores e traidores estão cá fora a latir sem que os seus actos tenham sido investigados. O mais relevante é analisar os títulos e curriculuns.

26 de dezembro de 2012

Abre-olhos


O final do ano ficou animado com o abre-olhos do caso "Baptista da Silva". Pelos vistos os mais prestigiados órgãos de informação foram ludibriados pelo falso curriculum do falso académico da ONU. Foram ludibriados porque o curriculum era uma mentira não porque nas mesas e plenários redondos a prosa do sr. Silva não fizesse abanar afirmativamente a cabeça pensadora dos intervenientes no decapanço político. Não fiquei um milímetro admirado. Para mim, todos, ou quase todos, os "analistas" ludibriam as plateias não por falsos curriculuns mas por falsas especialidades nas matérias. Abundam Silvas nas televisões informativas! São homens e mulheres que respondem com cara serena a todas as perguntas de A a Z, desde as capas dos jornais diários passando logo para questões de desarmamento na Coreia do Norte e dali para a especulação financeira nas Antilhas. Pergunto-me como é que esta gente está tanto tempo a ser filmada e ouvida? Será por falta de capacidades cerebrais do povo indígena, sempre a precisar de uma ajudinha de "quem sabe"? Que este episódio sirva para abre-olhos do que nos servem para entretenimento! Que ninguém tenha dúvidas... os programas com mesas redondas e quadradas são para nos fazer rir, e embarretar; rir de temas que não têm piada nenhuma!



24 de dezembro de 2012

22 de dezembro de 2012

Take it easy Joe


O CCB tem uma das maiores colecções de arte contemporânea da europa, que é pertença do Joe. O Joe, bom português da Madeira, gosta de ser tratado por comendador e gosta de ser conhecido pela sua colecção. Porventura terá coleccionado outras coisas que não estão expostas. Quando posa para a máquina gosta de ter aquele ar de entrosamento com a arte, digo, com o mais ínfimo detalhe dos pintados. Um dia gostaria de falar sobre estética de arte, na sua vertente filosófica, com o Joe. Transvanguardas quentes e frias, por aí fora. Mas hoje o que despertou nesta notícia foi outra arte. Joe não falou mal! Mas não falou bem, também. O que Joe devia ter proferido era a apetência lusa na inveja pelo alheio e na ostensiva falta de cultura de mérito nesta sociedade em desfalecimento. A inveja dos "ricos" vem de longe e na maior parte dos casos são os medíocres que só cagam, comem e dormem que mais criticam e apontam! Contudo, o que me caiu mal na frase do Joe é a cena do fisco! E, aqui, Joe não tem toda a razão, principalmente, se o fisco procura perseguir e conquistar fundos na especulação financeira, aquela que não cria só amealha e trafica. Quando Joe avisa que pode ir para fora, em certas "camadas sociais", isso soa a "fuga". Por ora apenas "soa". Por outro lado, Joe devia ter sido cauteloso em dizer as suas "bocas", logo agora que o jornalismo de referência procura esgazeadamente pontas por onde se lhe pegue com a crise e a austeridade. Temos um jornalismo jacobino. Joe sabe disso. No passado, com a ajuda do regime, conquistou certa imprensa, por estes dias só levantam "lebres"; ele é as avultadas dívidas aos bancos e acções não pagas. Joe devia olhar para a sua comenda e encomendar outro raciocínio quando falasse. Os tempos estão conturbados e a sensação de injustiça cresce como erva daninha mesmo que essa "injustiça" seja fruto das milhares de facturas, do vibrante socialismo e da "social" democracia, que estão justamente por pagar.

(Foto: Egidio Santos)


20 de dezembro de 2012

Viver com hipócrisia


O Natal é uma festa católica, ponto final. Celebrá-lo depende inteiramente da fé porque ou se é, se sente ou não se sente. Ninguém é obrigado a "aderir". Não há uma lei que obrigue a aceitá-lo por isso não é admissível que alguém diga que o Natal se impõe sobre a sua vida. Todavia, não faltam pessoas que "vivam" meias celebrações com sobranceria, desdém e hipócrisia.


19 de dezembro de 2012

O pedófilo das barbas está em baixo


Tenho ouvido dizer que este Natal o pedófilo das barbas está em baixo e vai fazer menos corridas com as suas renas defecadoras tão pouca é a procura de prendas. Que este Natal seja Santo e que esta quadra seja uma oportunidade para se sentir o crucial espírito cristão que a envolve.


Amar mais a TAP


O pretendente à TAP diz que "os portugueses amam a TAP" e que se ele a comprar ainda a vão amar muito mais! Sobre isto, quero dizer que nunca me apaixonei pela TAP nem tão pouco acho que a conseguia amar. Não é o meu tipo, tem um porte feio e, principalmente, tem muita gente dependente dela que ao invés de a ajudar só a explora. Não sei o que o comprador Eframovich sabe sobre a vidinha da dita mas não seria pior dar umas voltinhas pelos sindicatos para perceber porque tanta gente anda sempre em greves por causa dela!

17 de dezembro de 2012

Pia de Pilatos


As duas jornalistas que fizeram este artigo devem ser duas almas santas. Angola vivia um clima de medo e terror pela barbárie cometida uns meses antes, deste incidente, contra "brancos", "pretos", "colonos" e indígenas em Colua, 1961, pelos meninos da UPA. Os meninos à volta da fogueira da UPA massacraram, violaram crianças, estropiaram soldados e cometeram actos de canibalismo que deviam ser conhecidos pelas duas meninas jornalistas. A execução levada a cabo pelos "Dragões" foi motivada, certamente, por um sentimento de raiva, retaliação, e aviso aos terroristas. Não estou de acordo que o fizessem mas elevar a crueldade do exército português sem contextualizar o decurso da guerra é pernicioso e limitativo. 
Mais um caso de peça jornalística que parece ter a forma da pia de Pilatos. Uma pia para os membros da UPA, FNLA, GRAE e ELNA, e seus simpatizantes, lavarem as mãos.

Foto: Orgãos genitais de um soldado português executado e mutilado em Colua, norte de Angola, 1961 (foto Horácio Caio)

16 de dezembro de 2012

O que é que este sistema igualitarista está a fazer?


E se formos mais além no raciocínio do autor teremos a resposta!

14 de dezembro de 2012

O ódio dos pequeninos


Em Londres suicidou-se uma enfermeira que havia dado informações, inadvertidamente, sobre a estadia num hospital da Duquesa de Cambridge, Kate Middleton. Os episódios recentes podem ser relidos aqui. A enfermeira tinha um nome português, Saldanha. Talvez por isso os portugueses não ficaram indiferentes. E não. Nas redes sociais, nos blogges e nos jornais on-line os comentários não se fizeram esperar. Na maioria destilam o ódio dos pequeninos contra a monarquia (essa inveja de ignorância do que é o regime monárquico e de quem, efectivamente, se julga mais que os outros), as "igualdades", as benesses, os tratamentos de excepção, muitos inventam as maiores doidices para a enfermeira, prováveis doenças mentais ou desequilíbrios. Ninguém pensou que a sua morte possa ter ficado a dever a algo distinto, um desespero de carácter. Os pequeninos odeiam e não respeitam ninguém. O ódio pelo alheio é uma barriga afrontada de ressabiamento. Pequeninos. 


13 de dezembro de 2012

Por estes dias, por esta chuva, antevendo as "festas", relendo Victor Wladimiro Ferreira


"(...) Estes dias "das festas" deixam-me sempre deprimido e triste. Acabo por me ralar com saudades da nossa terra, do Sol, das praias, do vestuário leve, dos jacarandás floridos, da paz nas ruas, dos mercados a abarrotar de cheiros e vozes diferentes, do camarão, do caril com coco, dos cajus e amendoins que as mulheres negras assavam escavando uma pequena cova onde amontoavam os frutos e colocando as brasas por cima de um quadriculado de paus e folhas secas pra uma melhor assadura; coisas boas que se nos agarram à memória...
Como tem passado? Como aguenta esta chuva que nos encharca dia após dia? "


mail de Victor Wladimiro Ferreira, 07.01.2010


Foto: Victor Wladimiro em Lourenço Marques, 1972; espólio: família Castelo Branco Graça Ferreira


O Socialismo Vai de Rodas


Entre 2011 e 2012 venderam-se em Portugal menos 180 000 carros novos. Com a "crise", a poupança andou pelos 2,3 mil milhões de euros! Convinha alguns dos ex-ministros das obras públicas virem explicar se as toneladas de alcatrão e destruição de terras serviram para colocar em andamento este Socialismo Vai de Rodas ou se foram as rodas a dar gás ao Socialismo que Vai. Que Foi. Para um observador do desastre desta República, como eu, é confuso constactar os biliões de euros dados às constructoras – e devidas "comissões" para o menino e para a menina –, ver tantas auto-estradas, vazias, e, no fim, a mudança mais praticada ser um país de marcha-atrás.



12 de dezembro de 2012

Da dívida


Da esquerda à direita, muito mais da esquerda, ouço coisas que me fazem lembrar alguns velhos teóricos de coisas ainda novas. Falo de uma reacção ao pagamento da dívida portuguesa aos empréstimos "estrangeiros", um crescente ódio anti-germânico, num contracenso entre a europa-da-mama e um anti-europeísmo. No fundo, este ódio ao pagamento da dívida é um ódio indissociável do emprestador. Retirando a questão financeira do cerne, esta reacção é uma mostra dos hedonismo modernos. Portugal, e os países abrangidos pelas ajudas externas, denota um crescente xenofobismo exercido naquilo que podemos definir como um suave nacionalismo assente na "cultura" endógena. Ora, se raça é uma noção essencialmente cultural, o extremismo de recentes atitudes trazem à agenda a compreensão/extensão do que é a "miscenização" e o "multiculturalismo", essa coisa tão bem amada pelos eternos anti-germânicos



11 de dezembro de 2012

Muitos anos de vida


Hoje faz 104 anos Manoel de Oliveira. Nascido no ano do Regicídio, o cineasta foi/é um dos mais importantes realizadores portugueses. Poucos saberão que foi um ás do volante, um exímio conductor de automóveis, se calhar, até mais do que o irmão, o campeão, Casimiro de Oliveira. Um acidente fê-lo repensar a actividade e quem ganhou foi o cinema. Conheci-o pessoalmente em 2010 num projecto em que colaboramos para uma exposição. Na minha memória, contudo, fica em forma de nota sublime o seu discurso no centro cultural de belém, em Maio de 2010, aquando do encontro de Sua Santidade o Papa Bento XVI com personalidades da cultura, ciência e artes, para o qual eu fui convidado. Foram dez minutos de leitura que me fizeram emocionar e dizer para mim que, afinal, escolheram muito bem quem iria representar e falar pelas personalidades presentes. Tinha acabado de ouvir uma das palestras da minha vida. Tive oportunidade de o dizer a agradecer pessoalmente a Manoel de Oliveira. No CCB, pela sua voz, não ouvi o queixume dos pequeninos, não ouvi dar brados à liberdade, à revolução d'abril, não o ouvi cascar no fascismo e na direita neo-liberal, não ouvi dar graças à esquerda e pedinchar subsídios, o que ouvi foi um discurso íntimo, sobre as razões do país, da sua génese, da esperança, dos sonhos de todos e cada um, misturados com palavras que evocavam o cinema enquanto arte; e, nos premeios, o cristianismo, a força da fé, a presença de Deus enquanto actor, simples, mas magnânimo, no meio de nós. No final disse aquilo que o regime não queria ouvir mas que um centenário, sem medo do laicismo pidesco, pode dizer: "Portugal foi e sempre será um país católico".
Parabéns Manoel de Oliveira, muitos anos de vida.

Os evangelizadores-travestis da história tiveram trinta e tal anos de rejúbilo académico


Os evangelizadores-travestis da história tiveram trinta e tal anos de rejúbilo académico. Às carradas, passaram a informação de que o Portugal no período salazarista era um monte de esterco, onde tudo era controlado! Disseram-nos através da boca dos pérfidos políticos, dos analistas, dos "historiadores", da RTP, das Antenas Uns, dos livros escolares. Esqueceram-se que a inteligência não esboroa por decreto e que a vida não se constrói ao ritmo e ao gosto do virar de página dos iluminados. Um país, uma sociedade, depende mais da natureza dos homens do que da natureza das leis. Um mero exemplo é a génese e a capacidade de reconstrução de comunidades e países assolados por guerras, crimes, regimes opressores e outros ocasos. Isso acontece porque existe um milagre que se chama instinto de sobrevivência (e decência), o qual, aliado aos sentimentos afectivos, cria uma projecção que alimenta e constrói a esperança. 
Ao metralhar o povo com a ideia de dois portugais, um antes e pós 25 de Abril, os evangelistas esquecem-se que nunca os tempos que correm foram tão bons para a confrontação de estatísticas e de exemplos de vida! Vale a pena falar da diferença entre o que foi e o que é? Da diferença entre o que era um país com uma grande movimentação associativa, só na cidade do Porto existiam, antes de 1974, 600 associações recriativas, agora não mais que umas dúzias, do que foi a profusão de movimentos literários, do que foi a influência das belas-artes e das galerias na vida cultural, do que foi a inovação industrial e química, das escolas de arquitectura, do crescimento de companhias e da paixão pelo teatro, do surgimento de espantosos compositores e maestros? Onde anda hoje a nossa cultura, senão em manifestações de mão estendida e boné Che Guevara na cabeça?
O estado-novo foi mau? O regime político, a partir dos anos quarenta, foi. Mas a vida dos homens não se coibiu de criar e sonhar. A terceira República é boa? Onde está a boa vida, a iniciativa privada, a igualdade e riqueza para todos? Nunca como hoje um regime foi tão culpado pelo estado vegetativo dos seus cidadãos, nunca como hoje os cidadãos foram tão perseguidos – seja do ponto de vista das liberdades pessoais, fiscais, patrimoniais. Os evangelizadores-travestis da história tiveram trinta e tal anos de rejúbilo académico; fartam-se de olhar para trás mas não aprendem! Porque não veêm.



10 de dezembro de 2012

Se o ridículo matasse


A jornalista Marisa Soares devia investigar um pouquinho o que foi a arquitectura portuguesa de foro particular e estatal no período que tenta abarcar. Digo, assim de cor, o desenho de uma arquitectura com "curvas" de Januário Godinho, Mário Abreu, Cassiano Branco, da ARS-Arquitectos, não falando nas "curvas" do actual Pavilhão Rosa Mota (foto), antigo denominado Pavilhão dos Desportos (erguido nos jardins do "Palácio de Cristal") de José Carlos Loureiro. Se juntarmos a estes exemplos de autores a arquitectura de engenharia de Edgar Cardoso, não faltam "curvas arrojadas" na excelente arquitectura modernista no período do Salazarismo. O que este artigo enuncia é, tal como escreve de forma demolidora o ínclito Miguel Castelo Branco, uma propensão para a rasteira demagógica sobre a nossa história, uma vertigem para os espaços vazios da ignorância, quando se fala em Portugal nos anos 1929-1974, preferindo a comodidade do pensamento uniformizado e imbecilizado ante o pensamento livre e rigoroso. Fica bem, é chique, dizer mal do Portugal de 1929 a 1974; foi tudo mau, muito mau, exceptuando a vida dos senhores vigilantes da historia, tão na moda, claro e os seus pais. Se o ridículo matasse...

7 de dezembro de 2012

Celebrar, hoje, João Camossa


Num dia em que as rádios e televisões andam afoitas com reportagens sobre um dos maiores traidores de Portugal eu evoco uma figura bem mais gigante que o minúsculo aniversariante; falo de João Camossa (1926-2007). Por breves minutos estive a ler um texto que lhe dediquei aquando dos três anos do seu falecimento e que escrevi como publicidade a um evento, que organizei conjuntamente com o Centro Nacional de Cultura, de rememoração a João Camossa.
Um só segundo em sua memória faz esquecer da minha vista o horizonte de ignóbeis que se desfrutam nesta República de mentiras.

"(...) No dia 26 de Janeiro – curiosamente 5 dias antes da comemoração do 31 de Janeiro que os Republicanos tanto gostam de recordar – o CNC vai homenagear um cidadão que fez mais pela república do que muitos dos seus pseudo-heróis. Eu conto lá estar, se Deus quiser, com algumas das pequeninas folhas que o meu querido primo João trazia sempre no bolso e gatafunhava e riscava com contas aritméticas infindáveis. O que eu tiver de escrever escreverei nos teus papeis, João, porventura algo para te dizer ou para entreter o nosso tempo. Porque o meu amor também passou a ter o tempo do teu sentimento."


88


No dia de aniversário de um dos carrascos de Portugal, o pérfido Mário Soares, deixo aqui uma prenda com 28 anos, por altura do resgate do FMI, estando este sujeito como primeiro-ministro: péssimo aniversário.

“[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre jogo das empresas e dos trabalhadores (...). O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego”. 

Entrevista ao JN, 28 de Abril de 1984 

“O que sucede é que uma empresa quando entra em falência... deve pura e simplesmente falir. (...) Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade. 

Entrevista ao JN, 28 de Abril de 1984 

 “Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”. 

Entrevista à RTP, 1 de Junho de 1984 

6 de dezembro de 2012

Os fregueses


O governo propôs a redução do número de freguesias no país. Neste naco de terra qualquer reforma tem opositores; está tatuado na pele dos que velam pelos "valores" da revolução d'Abril. De facto, após o dia 25 o número de freguesias aumentou e nalgumas localidades duplicaram, fruto das "conquistas democráticas". De lá para cá o país pensou que era rico mas empobreceu ainda mais e chegou-se à idade dos cortes. Se antes da ruína era consensual a obrigatoriedade dos cortes nas despesas do estado agora torna-se fundamental para a sobrevivência dos nativos dependentes dos fundos do estado. Mas as "freguesias" não querem, não concordam. Gritam argumentos, acicatam as "populações" contra o isolamento e a distância até a mais próxima junta. Mas, bem vistas as coisas, não são as "freguesias" que reclamam!... Como eu não me canso de afirmar, esta República verde-tinto é um tasco a abarrotar de "fregueses". 

5 de dezembro de 2012

A transparência da corrupção e a República


"Portugal", hum,  a República Portuguesa, é, a título de um jornalista, "moderadamente corrupto". Diz o artigo que, na parte que interessa, numa escala de 0 (percepção de que um país é altamente corrupto) a 100 (percepção máxima de transparência) Portugal, visto de "fora", tem uma pontuação de 63, logo, mais transparente que corrupto. A nível mundial está na posição 33 (gosto de capicuas), a nível de uma Europa a 27 está em 15º lugar. De realçar, para futuro, de forma pertinente, a noção de Transparência e a noção de Corrupção. São temas que nos conduzem a um patamar de discussão que implica digerir o nosso grau civilizacional e cívico. Então o que é a Corrupção? A cunha, um pedidozinho de emprego para uma filha é corrupção? Um "jeitinho" para se saber o preço da concorrência é corrupção? Uma informaçãozinha a tempo e horas sobre a expropriação de um terreno é corrupção? E se todas estas coisinhas não tiverem outro proveito que não a "amizade" e ajuda ao próximo? Como é que se vão tratar estes detalhes numa República que foi construída, precisamente, sobre o fundamento do amiguismo, clientelismo, partidarismo, sectarismo, compadrio, vê se te avias, ó Abreu dá cá o meu, é tudo nosso, no toda a gente faz isso? Como é que se vão tratar estes assuntos numa República cuja "arquitectura" é uma teia de ofertas e dívidas para com os patrocinadores das campanhas, lacaios e interesses partidários? Não me admirava que a pontuação fosse 100! Era sinal que a percepção de transparência correspondia à assumpção de que o regime era o que é, e toda a gente o via. Mas não. Essa transparência é um vidro bem embaciado.

4 de dezembro de 2012

Center for Country Research


Existem empresas que se dedicam a fazer estudos sobre os montantes que foram, são e serão furtados, no comércio. Empresas destas deviam ser apoiadas pelos países em vias de pulverização moral. O furto é um fenómeno tão antigo quanto a existência animal. Em Portugal furta-se por vários motivos: por fome e por oportunidade. No primeiro motivo o corpo pede no segundo a moral perde. Os oportunistas abundam, fecundam e deixam legados. Um outro motivo é a lei. A lei pode prever a usurpação legítima de um bem mesmo que isso pareça ilegítimo. Veja-se a prole de presidentes da república a usarem o alheio amealhado da coisa pública como se fossem credores, em virtude dos "deveres cumpridos"! Devia ser fundado um Center for "Country" Research. Seria útil e ajudaria o INE e o ministério das finanças sobre as previsões do orçamento disponível de facto. Diz uma empresa inglesa que estima furtos no comércio português durante a época de Natal, deste ano, no valor de 66,9 milhões de euros, 5,5% a mais do que em 2011. Quanto se furtou, em maquinâncias, do orçamento de estado em 2012?

3 de dezembro de 2012

Notícias de última hora


A índole desta notícia sugere que um jornalista deve ter acesso a tudo a bem do "direito de informação" que, pelos vistos, também está consagrada no rolo de papel higiénico que apelidam de Constituição da República. A par do subsídio ao aborto, pago pelos contribuintes, a nossa moderníssima república cria (aborta) umas criaturas que recorrem à particular Constituição para exigirem tudo e qualquer coisa. Fico satisfeito pelo tribunal não ter permitido a consulta, já basta o fisco, digo, a polícia fiscal, espreitar por todas as frinchas. Caso o tribunal despachasse a favor do jornalista veríamos muita gente armada em jornalista a consultar as sizas, os valores dos carros, os salários, prémios, as dívidas dos vizinhos, cunhados e amigos. A não ser que o jornalista pretenda uma excepção para os encartados do jornalismo, o que seria grave e colocaria qualquer um ao sabor da subjectividade noticiosa. Seja com Cavaco Silva ou com outro Silva qualquer, a intimidade deve ser acautelada de estranhos e a violação da mesma deve ser despoletada por razões fundamentadas de um tribunal civil ou fiscal. Bem sabemos como os jornais gostam de notícias de última hora!


1 de dezembro de 2012

A verdadeira revolução


Um ex-primeiro ministro assume numa entrevista que tem responsabilidades no estado do país. Diz, também, que não é o único e que "todos terão tentado fazer melhor ou pior" (!). É humilde, é lindo, é de carácter, mas torna-se fácil assumir culpas quando daí nada resulta a não ser o travo a "honradez". As acções dos detentores de cargos políticos não são responsabilizadas criminalmente porque a noção da democracia acenta na legitimidade do voto. Então, que se punam os votantes nos partidos. Que ninguém ajuíze os políticos em que votou com a pena de merecer maior castigo. 

É com democracias destas e regimes destes que o dia de hoje, 1º de Dezembro, ganha especial significado. Como diz o Nuno Castelo Branco, "o plano B falhou, temos o plano A". O "plano B" trouxe-nos a repressão, o medo, a mentira, o partido único, o despotismo, a miséria, os complexos sociais, o ressabiamento e a inveja pelo próximo, a frustração dos idiotas, a ditadura, a falta de patriotismo, a traição e entrega à morte de conterrâneos, o ignóbil oportunismo dos democratas que se aviltaram dos bens públicos, a maior desigualdade social de que há memória, e por fim o nosso fim, pela ausência de esperança. Talvez por isso, a restauração da Monarquia seja a verdadeira revolução que está por fazer.