5 de dezembro de 2012

A transparência da corrupção e a República


"Portugal", hum,  a República Portuguesa, é, a título de um jornalista, "moderadamente corrupto". Diz o artigo que, na parte que interessa, numa escala de 0 (percepção de que um país é altamente corrupto) a 100 (percepção máxima de transparência) Portugal, visto de "fora", tem uma pontuação de 63, logo, mais transparente que corrupto. A nível mundial está na posição 33 (gosto de capicuas), a nível de uma Europa a 27 está em 15º lugar. De realçar, para futuro, de forma pertinente, a noção de Transparência e a noção de Corrupção. São temas que nos conduzem a um patamar de discussão que implica digerir o nosso grau civilizacional e cívico. Então o que é a Corrupção? A cunha, um pedidozinho de emprego para uma filha é corrupção? Um "jeitinho" para se saber o preço da concorrência é corrupção? Uma informaçãozinha a tempo e horas sobre a expropriação de um terreno é corrupção? E se todas estas coisinhas não tiverem outro proveito que não a "amizade" e ajuda ao próximo? Como é que se vão tratar estes detalhes numa República que foi construída, precisamente, sobre o fundamento do amiguismo, clientelismo, partidarismo, sectarismo, compadrio, vê se te avias, ó Abreu dá cá o meu, é tudo nosso, no toda a gente faz isso? Como é que se vão tratar estes assuntos numa República cuja "arquitectura" é uma teia de ofertas e dívidas para com os patrocinadores das campanhas, lacaios e interesses partidários? Não me admirava que a pontuação fosse 100! Era sinal que a percepção de transparência correspondia à assumpção de que o regime era o que é, e toda a gente o via. Mas não. Essa transparência é um vidro bem embaciado.

2 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro João,
o que me faz espécie é que a transparência não se opõe à corrupção. mas sim à opacidade. Podemos perfeitamente viver num Estado através do qual se veja tudo, sem que deixe de ser corruptíssimo, caso as malfeitorias conexas não sejam reprimidas. Até pode ser a nossa situação: dúzias de denúncias na Imprensa, algumas investigadas e presentes às autoridades judiciais, mas, na hora da Justiça, tudo dá com os burros na água. E quando Alguém, como o Procurador Souto de Moura ergue um dedinho, é posto na rua.

Uf, o que eu falei!
Abraço

João Amorim disse...

meu caro Paulo,

Não, não, na República não há corrupção na justiça, há "problemas", mas muitos dos senhores conselheiros e desembargadores até pertencem à maçonaria! Valho-nos as seitas secretas para sentirmos que velam pela "transparência".