11 de dezembro de 2012

Muitos anos de vida


Hoje faz 104 anos Manoel de Oliveira. Nascido no ano do Regicídio, o cineasta foi/é um dos mais importantes realizadores portugueses. Poucos saberão que foi um ás do volante, um exímio conductor de automóveis, se calhar, até mais do que o irmão, o campeão, Casimiro de Oliveira. Um acidente fê-lo repensar a actividade e quem ganhou foi o cinema. Conheci-o pessoalmente em 2010 num projecto em que colaboramos para uma exposição. Na minha memória, contudo, fica em forma de nota sublime o seu discurso no centro cultural de belém, em Maio de 2010, aquando do encontro de Sua Santidade o Papa Bento XVI com personalidades da cultura, ciência e artes, para o qual eu fui convidado. Foram dez minutos de leitura que me fizeram emocionar e dizer para mim que, afinal, escolheram muito bem quem iria representar e falar pelas personalidades presentes. Tinha acabado de ouvir uma das palestras da minha vida. Tive oportunidade de o dizer a agradecer pessoalmente a Manoel de Oliveira. No CCB, pela sua voz, não ouvi o queixume dos pequeninos, não ouvi dar brados à liberdade, à revolução d'abril, não o ouvi cascar no fascismo e na direita neo-liberal, não ouvi dar graças à esquerda e pedinchar subsídios, o que ouvi foi um discurso íntimo, sobre as razões do país, da sua génese, da esperança, dos sonhos de todos e cada um, misturados com palavras que evocavam o cinema enquanto arte; e, nos premeios, o cristianismo, a força da fé, a presença de Deus enquanto actor, simples, mas magnânimo, no meio de nós. No final disse aquilo que o regime não queria ouvir mas que um centenário, sem medo do laicismo pidesco, pode dizer: "Portugal foi e sempre será um país católico".
Parabéns Manoel de Oliveira, muitos anos de vida.

2 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

E, em novo, tinha a elegância de um dandy, que permanece hoje no discurso, mas juntando-lhe a profundidade.

Abraço, Meu Caro João

João Amorim disse...

Para além de uma boa figura, o que encanta é a juventude e determinação das suas ideias.

abraço, Paulo