11 de dezembro de 2012

Os evangelizadores-travestis da história tiveram trinta e tal anos de rejúbilo académico


Os evangelizadores-travestis da história tiveram trinta e tal anos de rejúbilo académico. Às carradas, passaram a informação de que o Portugal no período salazarista era um monte de esterco, onde tudo era controlado! Disseram-nos através da boca dos pérfidos políticos, dos analistas, dos "historiadores", da RTP, das Antenas Uns, dos livros escolares. Esqueceram-se que a inteligência não esboroa por decreto e que a vida não se constrói ao ritmo e ao gosto do virar de página dos iluminados. Um país, uma sociedade, depende mais da natureza dos homens do que da natureza das leis. Um mero exemplo é a génese e a capacidade de reconstrução de comunidades e países assolados por guerras, crimes, regimes opressores e outros ocasos. Isso acontece porque existe um milagre que se chama instinto de sobrevivência (e decência), o qual, aliado aos sentimentos afectivos, cria uma projecção que alimenta e constrói a esperança. 
Ao metralhar o povo com a ideia de dois portugais, um antes e pós 25 de Abril, os evangelistas esquecem-se que nunca os tempos que correm foram tão bons para a confrontação de estatísticas e de exemplos de vida! Vale a pena falar da diferença entre o que foi e o que é? Da diferença entre o que era um país com uma grande movimentação associativa, só na cidade do Porto existiam, antes de 1974, 600 associações recriativas, agora não mais que umas dúzias, do que foi a profusão de movimentos literários, do que foi a influência das belas-artes e das galerias na vida cultural, do que foi a inovação industrial e química, das escolas de arquitectura, do crescimento de companhias e da paixão pelo teatro, do surgimento de espantosos compositores e maestros? Onde anda hoje a nossa cultura, senão em manifestações de mão estendida e boné Che Guevara na cabeça?
O estado-novo foi mau? O regime político, a partir dos anos quarenta, foi. Mas a vida dos homens não se coibiu de criar e sonhar. A terceira República é boa? Onde está a boa vida, a iniciativa privada, a igualdade e riqueza para todos? Nunca como hoje um regime foi tão culpado pelo estado vegetativo dos seus cidadãos, nunca como hoje os cidadãos foram tão perseguidos – seja do ponto de vista das liberdades pessoais, fiscais, patrimoniais. Os evangelizadores-travestis da história tiveram trinta e tal anos de rejúbilo académico; fartam-se de olhar para trás mas não aprendem! Porque não veêm.



2 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro João,
só divergimos por eu achar que o Estado Novo não foi nada mau enquanto Salazar durou, mesmo no tocante à superestrutura.
Mas claro que cada regime que se empoleira tem de criar uma lenda negra do anterior para se legitimar.

Abraço

João Amorim disse...

caro Paulo

A vida prova-nos que o Salazar tomou péssimas decisões após 1945 mas comparado com as decisões que estes meninos têm tomado desde 1974 ele já foi esquecido 100 vezes. Até o sr. Soares disse ontem numa entrevista que nem o Salazar foi tão odiado como estes governantes. Só se esqueceu de mencionar ele próprio.

abraço