17 de dezembro de 2012

Pia de Pilatos


As duas jornalistas que fizeram este artigo devem ser duas almas santas. Angola vivia um clima de medo e terror pela barbárie cometida uns meses antes, deste incidente, contra "brancos", "pretos", "colonos" e indígenas em Colua, 1961, pelos meninos da UPA. Os meninos à volta da fogueira da UPA massacraram, violaram crianças, estropiaram soldados e cometeram actos de canibalismo que deviam ser conhecidos pelas duas meninas jornalistas. A execução levada a cabo pelos "Dragões" foi motivada, certamente, por um sentimento de raiva, retaliação, e aviso aos terroristas. Não estou de acordo que o fizessem mas elevar a crueldade do exército português sem contextualizar o decurso da guerra é pernicioso e limitativo. 
Mais um caso de peça jornalística que parece ter a forma da pia de Pilatos. Uma pia para os membros da UPA, FNLA, GRAE e ELNA, e seus simpatizantes, lavarem as mãos.

Foto: Orgãos genitais de um soldado português executado e mutilado em Colua, norte de Angola, 1961 (foto Horácio Caio)

2 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro João,
não fora o repugnante e macabro da evocação e apeteceria dizer que aqui está um post com eles!
Quanto às atrocidades, já se sabe que, dependendo da autoria, são infâmias criminosas, ou infelizes e secundários acontecimentos.

Abraço

João Amorim disse...

caro Paulo

Não faltam bloggues e sites na net com depoimentos de ex-combatentes sobre casos como o descrito pela jornalista. O que eu não entendo é a admiração e o timming da notícia. Toda a guerra é um horror. O que não se pode permitir é deixar passar uma imagem que os "colonizadores" eram muito maus e cortavam cabeças!! Não é verdade. A porcaria da guerra levou o exército a cometer excessos mas nada que se compare ao terrorismo desumano dos amigos do PCP.