31 de janeiro de 2013

Nús


Convém começar por afirmar que eu entendo a nudez como uma coisa do espírito. A minha nudez não implica eu tirar a roupa e mostrar os genitais. Essa nudez, dos genitais ao léu, é uma forma básica, pobre, de despir não de ser transparente, verdadeiramente nú. Daí que eu veja as atitudes associadas à "nudez" como uma matéria vazia que só cora quem está vestido de preconceitos. Vem isto a propósito de uma exposição promovida pelo Museu Leopold, em Viena, em que o objecto é o nú e quem for visitar a exposição de genitais à mostra entra gratuitamente. Está bom de ver que a coisa atraiu os amigos do nudismo, do voyer e do revolucionismo careta. Por cá estas modas de atrair atenções ficaram por meia dúzia de jovens a andar de cuecas no metro mas não faltará tempo para que a moda do andar nú seja uma realidade quando se for visitar, não um "Museu" mas a Repartição de Finanças ou a Segurança Social.

30 de janeiro de 2013

Pesar


Duas notas de pesar dos passados dias; faleceu Jaime Neves, um dos poucos "capitães" que não emprenhava pelos ouvidos a cantilena da gaivota, faleceram no IC8, na Sertã, 11 pessoas que iam a um evento religioso depois do autocarro onde seguiam se ter descontrolado e caído numa ravina. Sobre o Jaime Neves muito se falou em vida sobre as onze víctimas muito se falou após a morte. Todavia, qualquer vida tem o mesmo valor, o mesmo peso, o mesmo pesar. O que difere é o peso que o peso dos outros adiciona em nós. Tenho de assumir que Jaime Neves sempre me cativou. Não foi um dos queridos do PCP, antes pelo contrário, nem da esquerda unida, caviar ou de brincó-piercing. Nunca deixou de se sentir militar mas nem por isso militou na conversa fiada das associações do correctinho. Outros "capitães" ainda cá andam. Muitos deles andam bem satisfeitos pela "estrada" que nos tem conduzido às ravinas do nosso desastre nacional. Pesar pelas vítimas da ignomínia da política e pesar pelas víctimas, inocentes, da imprudência estupor que vagueia nas estradas em Portugal. Duas estradas, duas ravinas, o mesmo destino.


24 de janeiro de 2013

O desolhado


Freitas é um político! Um político que usa a política para obter os seus proveitos, que usa a política para se fazer, que usa a política para viver. À laia de políticos como o Freitas o país está de rastos, falido, desiludido, mentido, traído. O Freitas vem hoje proferir que o sucesso da emissão de dívida pública não é do governo! Para Freitas este governo não tem graça nos méritos tem só méritos na culpa. É uma questão de visão, tarefa difícil para um desolhado de tanto olhar por si.

22 de janeiro de 2013

Crescer depressa, morrer rapidamente


Não me espanto com estas afirmações repugnantes, sobre doentes terminais ou idosos com doênças sem recuperação, mas não pensem que elas são paridas de um espírito liberal. Não, elas são a utopia do Socialismo a esventrar-se. O Estado, o grande-estado de olho atento, o estado dono da propriedade, colector de impostos, que não investe o que cobrou na economia apenas resolve em salários e subsídios, o estado dono da iniciativa privada, das liberdades, o estado dono do pensamento, o estado dono do tempo de reforma, dono das reformas. A dor está a aparecer antes da morte. Muitos dos que criticam estas palavras cruéis e que estão de boa saúde e longe da idade de reforma exigem de outros, dos, anónimos, cidadãos-do-estado, o que não conseguem ter mesmo sabendo que alguém perde para que o tenham. É disso, claramente, do ácido equilíbrio dos subsídios públicos, que este estuporado ministro japonês fala. Contudo vou imaginar o que ele, se calhar, queria dizer para registo de conversa: Cresce depressa, para pagares impostos, morre rapidamente, para não gastares os impostos daqueles que tudo exigem.

Productividade, trabalho, horas extra e "até amanhã que amanhã também é dia"


Nunca pensei ver tantos estudos "publicados" em tão pouco tempo. Na semana passada o jornal Público apresentou seis notícias baseadas em seis estudos, um por dia. Eu devo ter falhado outros links pois muitos mais haveriam. Como não dou credibilidade a estudos de 4 páginas ou confiáveis por 800 "entrevistas", a experiência de vida continua a ser um bom filtro para tanto estudo.
Face a esta notícia, vejo que o governo tem preparado legislação para debelar um impasse ético que tem arrastado a praxis laboral nas últimas três décadas. Com a revolução dos cravos a noção de "Trabalho" ficou encravada em centenas de páginas da Constituição, pouco física e saudável, portuguesa. Todas essas páginas lidam e conjuram o "trabalho" no acessório e nos "Direitos" de quem "trabalha" mas sem especificar os "Deveres" dos "Trabalhadores". Sendo assim, desde que se cumpra um "horário" o "trabalho" está feito, acabado e até amanhã que amanhã também é dia. E é neste intervalo que entra a estória da "productividade". Esta existe se existirem objectivos mas os "objectivos" só podem ser traçados se houver disposição e capacidade de concretização. A "capacidade" é outra das derivas nacionais. Já sei que me dizem que somos "todos iguais" mas Não somos. A capacidade de trabalho é um factor de empregabilidade com diferentes visões no sector público e no sector privado. No privado o "trabalhador" conta com duas páginas da Constituição, com a vontade do patrão, do "mercado", dos clientes e com a sua. No público, o "trabalhador" conta com duzentas páginas da Constituição, com a vontade dos sindicatos, do serviço público, dos seus dirigentes superiores e com a certeza de que não é despedido. Como a Constituição e os acordos laborais proíbem trabalhar mais horas do que as determinadas (35 horas no público, 40 horas no privado) as horas extras aparecem como um desfecho previsível para quem não se tem de exceder, apenas fazer. E é isso que o governo pretende contrariar: aumentar uma ou duas horas de trabalho para não ter de pagar as inevitáveis horas extra visto não haver dinheiro para as horas reguladas quanto mais para as desreguladas. A "productividade" não aumentará por certo, só acontece por atitude endógena, mas a epidemia das falsas horas extraordinárias será atacada por certo. Devo dizer que conheço pessoalmente muitos funcionários públicos que ficam, muitas vezes, mais tempo que o determinado a trabalhar e outros que no privado nada fazem; eu sempre senti que a "productividade" laboral é resultado de um conjunto de factores que alimentam a nossa inércia, vem da satisfação, dos nossos próprios objectivos, do nosso orgulho, da conduta e disciplina, mesmo quando não executamos o que pretendiamos, da realização afectiva, familiar, até da manutenção de uma boa condição física, e isso não é algo que venha na Constituição, nas palestras dos sindicatos ou nos estudos comparativos por trimestre.


21 de janeiro de 2013

O aborto ortográfico


Face às polémicas, discordâncias, petições públicas e privadas, estou atónito não ter lido ou ouvido nenhum responsável pela ementa do "Acordo Ortográfico" a esclarecer, acalmar ou apaziguar a discussão. Pior, mesmo com a mudança de governo os actuais detentores da pasta da cultura e educação mantêm-se calados como que a dizer: nós, também, não percebemos nada disso! No meio desta crítica pública, ainda não sei, nunca vi, o nome de alguém em concreto que tenha fecundado o nado-morto. Seria o mínimo da decência virem dar a cara os senadores de tal "virtuosismo" intelectual. Uma breve passagem pelos novos manuais e cadernos de apoio para a compreensão do "acordo", cujo nome, em si, é o pior baptismo que se podia dar, visto que o que está, definitivamente, instalado é um Desacordo, faz notar que vão passar a existir umas centenas de novas palavras, que não existiam na ortografia portuguesa e, escandalosamente, vão aumentar o número de palavras que se vão passar a escrever de forma diferente em português mas que se mantêm em "brasileiro"... ...! Em 1945 o Brasil aderiu ao "acordo", de então, mas em 1955 revogou o combinado! Não houve guerra nem amuos! Que saibamos fazer o mesmo agora que o Brasil voltou a adiar para 2016 (Angola e Moçambique já disseram que não alinham no "acordo") o tratado tratante. Reafirmo, não existe "acordo" mas sim um Desacordo ortográfico, embora, correctamente, se deva escrever "aborto ortográfico".

O crápula


Em 2013 os Comunistas vão comemorar o centenário do nascimento de um dos maiores crápulas da política portuguesa. Álvaro Cunhal foi um dos maiores hipócritas da cena política, "lutava" contra o que dizia ser uma ditadura ao mesmo tempo que desejava e sonhava impor uma outra ditadura, bem mais feroz, no país; berrava contra a PIDE mas apoiava a presença da KGB, a STASI, a NKVD, todas as polícias políticas que policiavam os regimes comunistas de leste e balcâs, ladrava contra a prisão da Trafaria e Peniche mas nunca se ouviu um "ái" sobre os Gulag estalinistas ou os campos de concentração da Letónia, China, Jugoslávia, Checoslováquia, Bulgária e Polónia, falava mal de Salazar mas nunca se referiu a Lenine, Estaline, Ceausescu, Mao, Kim Jong-il, Kim Il-Sung, Pol Pot, Fidel, Ho Chi Minh, etc. Cunhal foi um defensor do terror totalitário do estado sobre as liberdades individuais. Pelo meio do sonho ditatorial dizia estar ao lado dos "direitos dos trabalhadores" desde que as massas fossem a carne para canhão das manifestações e "revoltas populares", controladas pela ideologia, obviamente. Cunhal lutou contra o país. Não merece mais palavras que desdém. Não merece o cuspe.



18 de janeiro de 2013

Portagar, direitos de portagem e de passagem


Atendendo ao alarido que aí vai por causa da colocação de mais torres de portagem nas ex-scut, devo dizer que só sou contra as ditas porque anteriores governos receberam vários biliões de euros para construir as auto-estradas e que, pelo seu fim, estas, estariam livres de custos para o utilizador, por isso mesmo, baptizadas de SCUT. Quanto às portagens, propriamente ditas, convém lembrar os esquecidos, ou distraídos, que as portagens existem há milénios. Sempre houve portagens entre lugares, terras, senhorios, coutos, prazos, concelhos, países. Uma breve passagem de olhos, por exemplo, pelos tempos Manuelinos permite verificar distintos preços de portagem entre localidades, senhorios, montados e vias de água. No que me interessa, no meu "grande" Porto, é curioso verificar que só Gondomar não exercia direitos de portagens na passagem de carros de boi e apeados mas já é dos mais precisos no direito de pescaria e outras obrigações de jeira! Estávamos nas primeiras décadas de 1500! As portagens de passagem só foram abolidas na cidade do Porto em finais do século XIX (substituídas por outros impostos com outras denominações!). No que toca à passagem de bens comerciais os cidadãos pagavam impostos de passagem de acordo com os bens que transportavam, conforme estes se faziam por entrada por terra, entrada por rio, entrada por foz. Em Matosinhos não havia pagamento de passagem desde que a passagem pela localidade não acarretasse a presença dos bens e pessoas mais do que um dia. Já nessa época existiam isenções, difíceis de obter por forasteiros mas fáceis para os vizinhos da terra. Todas as terras tinham a sua forma própria de cobrança e isenção. Hoje em dia vivemos a decadência do que chamamos "estado social" onde tudo se fazia (faz), tudo se exigia e ninguém pagava, vulgo o pagode socialista. Esses tempos acabaram. Vêm aí os tempos de andar a pé.

16 de janeiro de 2013

É ou não é


Lendo este artigo fico com a impressão que estou a ler um artigo às avessas. Afinal, para os jornalistas apontadores da história, os portugueses dos anos 50 não eram o protótipo do colonizador novecentista? O filme foi censurado por mostrar a verdadeira relação dos portugueses brancos, africanos ou não, com os indígenas? Afinal não havia classes pobres brancas nas cidades ultramarinas? Afinal fomos uns exploradores dos pretos, fascistas colonialistas, ou fomos uns viajantes porreiros que amaram e constituíram gerações em África?


Foto: espólio família Castelo Branco Graça Ferreira. Lourenço Marques, 1964/65
Legenda: "Maria, o Miguel (Castelo Branco), o Bernardo, o nosso cão Barine e eu (Nuno Castelo Branco)."

Outras casas as mesmas...


A actriz pornográfica Erica Fontes ganhou o prémio internacional XBIZ! A "actriz" diz "estar "muito feliz" por conquistar um prémio de cariz internacional em que competia com "as melhores atrizes do mundo" no género". Este prémio vem levantar uma questão pouco debatida mas que o surrealismo televisivo coloca "em cima da mesa": As mulheres que fazem parte da escola pornográfica fazem-no mesmo ou representam? 

15 de janeiro de 2013

A casa da República sem segredos


Ontem, movido pelas minhas filhas, vi uma gravação da "gala" da "Casa dos Segredos", deste passado Domingo. Não dei o meu tempo por perdido. Pude constactar o que presentia pelos recortes dos jornais quando expõe a coisa. Quatro notas conclusivas:
1) A irrelevância do nome do programa! Podia chamar-se Casa da Tia, Casa dos Degredos, Casa da Cana Rachada, seria igual. O mais acertado seria a Casa da República.
2) Os participantes são o molho do programa. A ideia é os espectadores, no seu lar, serem um prolongamento dos participantes participando na visualização e emoção dos actos, gestos, arrôtos, delírios, pseudo-conversas e banhos de chuveiro. É maravilhoso ver estes jovens filhos da república portuguesa moderna, aquela que "não pode parar", na essência, filhos da tão propalada "classe média" que tanto sofre com a crise e que está a desaparecer.
3) A abundância de palavrões e obscenidades contrasta com a ausência de lógica dos discursos e de temas de conversa para além da cor das cuecas do parceiro, a ausência de relações sociais convincentes para além do estado de espírito de jogo. É isto que "o meu povo gosta" como dizia um antigo comentador desportivo. O lugar do vazio, o empanturrar de nada.
4) As audiências parecem provar que os que não gostam do programa são poucos face aos que adoram seguir a "vida" de uma dezena de jovens sem cultura, experiência ou objectivos para além da diversão do momento. Como agradecimento pelo carinho do público os concorrentes não se cuibem de improvisar o (pedido de) casamento em directo, após um namoro hot na incubadora da Venda do Pinheiro. A embrulhar a defecação que exalta do programa, uma Teresa Guilherme a fazer papel de mãe estouvada dos meninos vestidos à moda e em tons de fato escuro, com especial detalhe para o brilho e glamour das inscrições na pele de cada um. A ver em horário "nobre".

11 de janeiro de 2013

Avante, Avante camarada Ana


Ana Teresa, presidente da Câmara de Palmela vai reformar-se aos 47 anos e auferir 1859.67 euros. Concerteza não vai ficar parada após não se poder recandidatar à Câmara. O Partido Comunista precisa dela, a coerência também, seria precisa. Avante camaradas, foi para isto que se fez o 25 de Abril por isso ninguém diga mal. Avant....

O pensamento poético voltou às suas origens


João Magueijo é o "Pensador" do dia no jornal Público. Fazendo justaposição do título da notícia com o título do pensamento do João, apraz-me ver que o pensamento poético voltou às suas origens, foi de novo parido, ao dito "Abril". Já havia tempo, não lia um texto que acabasse em "merda", "puta", "filhos da puta" e outras coisas que tais que traduzissem essa Revolta Revolucionária saída do coração dos autores, esses camaradas filhos d'Abril. Eu não sei se esta é a "República das Putas" o que sei é que há muito chulo nesta República, muito chulo que não pára de pensar como nos há-de invadir, roubar, consporcar e distorcer o pensamento.



10 de janeiro de 2013

Que matéria será necessário empinar?


Notícias como esta levam a minha memória ao banco de escola, à cadeira da universidade. Estudar é bom. Gratificante. Só a ideia de se fazer um exame "nacional" para os funcionários públicos deve deixá-los plenos de contentamento. Contudo, uma só pergunta, que não encontrei resposta no artigo, que matéria será necessário empinar...? O Saramago também vai sair? Tem que se saber de cor o nome de todos os "Presidentes"? Vejam lá...!


Milhões irão interceder


A actividade virtual excita, incha. Numa "petição" onze mil pessoas já assinaram contra a morte de um cão que matou uma criança de 18 meses (que conhecia!). Pela força da iniciativa, se 11 mil assinam a favor de um cão então milhões irão interceder pelas crianças mal tratadas, milhões irão interceder pelos idosos que vivem sozinhos, milhões irão interceder pelas mulheres maltratadas, milhões irão interceder pelos sem abrigo que vivem na rua. 


9 de janeiro de 2013

Glória, Glória, A.. raújo


Diz-se, dizem, dizem-nos que os políticos devem dar o exemplo. Diz-se, dizem, dizem-nos que os políticos também são seres humanos como nós! Para a Deputada Glória... Araújo, fiel socialista e do Socialismo, de dedinho apontador aos casos pouco éticos dos políticos (Relvas, Relvas, BadaGlória à vista!), membro da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, a pressão é muita e 2,4 gr/L álcool no sangue será pouco face ao engarrafamento em que o país se encontra. 



O FMI, vulgo FIM da República


O bradado relatório do FIM sugere que se cortem 50 000 empregos na Educação, num universo de, cerca, 150 000. Um terço. Deduzo que o cálculo de merceeiro de 33,33333% a 20% deve também ser aplicado nas forças de segurança, pensões do estado e outras "profissões privilegiadas". Sugerir isto a um país como Portugal é desconhecer, no todo, toda a história desta República! Tenho pena que os catedráticos do Fundo Monetário não tenham sugerido a alteração da arquitectura e estrutura do estado... que é a principal fonte de atraso, corrupção e subdesenvolvimento. A sociedade embruteceu-se com o mote "tudo à mama" e largar este conceito não só é doloroso como perigoso para os instalados no poder. É que a "mama" não só sustenta o bicho como sustenta a permanência do regime republicano. É um 2 em 1 estabelecido há 102 anos e com relativo sucesso. Sobre o funcionalismo público devo dizer que ele é necessário e nalgumas áreas tem défice de funcionários noutras excesso de empregados. Convém lembrar que o relatório sugere cortes nos empregados da empresa/patrão falido e devedor mas, ler as sugestões do FIM, face ao panorâma socio-dependente do português, subentende uma previsão de que vão existir menos um terço dos alunos, muitos menos doentes, menos criminosos, menos conflitos, menos processos em tribunal, mais emprego, uma dinâmica histérica de novos empresários a abrir empresas e a necessitar de braços amigos. Como em todas as dietas, o sucesso só de vê no fim. Vamos a ver se este recanto, quase defunto, aguenta mais injecções nos magros glúteos.

8 de janeiro de 2013

No tempo das Cruzadas


Muito poucos saberão sobre a existência da "Cruzada Nacional D. Nuno Álvares Pereira". Não estou a falar das cruzadas medievais ou da cruzada guerreira de Aljubarrota. Falo da acção cívico-política da Cruzada enquanto lugar a estudo do que foi o tecido ideológico do Portugal de 1918 a 1938. Tal como hoje, o país vivia um surto de conflitos, sérias preocupações sociais, uma grave crise económica e o regime iniciava o período de ditaduras que nos levaria até a ditadura actual, escondida na forma de "democracia". Segundo o professor Castro Leal a Cruzada foi "uma espécie de liga patriótica de elites" 1)! Curiosa observação se olharmos para as "elites" que nos (continuam) tem governado e na linhagem de conductas patrióticas por parte dos ditos. O epíteto principal do  Manifesto da Cruzada (1921) transparece a sua índole: "Por Nun'Álvares, símbolo da Raça! Pela Raça que a sua memória de cavaleiro e santo tutela ainda, para conduzir a novos destinos que a esperam". Poder-se-ia pensar que a coisa tinha sido desenhada pelos faxcistas, conservadores e outros facínoras, mas não! A dimensão do projecto ia do presidente da república ao operário, de laicos a católicos! Entre os subscritores, como hoje está em voga dizer, contam-se Guerra Junqueiro, António José de Almeida, Braamcamp Freire, António Egas Moniz, Alfredo Freire de Andrade, Alfredo de Sousa, Trindade Coelho, Jacinto Nunes, Hermano de Medeiros, tudo bons republicanos apoiantes do Regicídio, concentâneos com Tomás de Mello Breyner, Anselmo de Andrade, António Centeno, Costa Mesquitela, Pequito Rebelo, Sarmento Pereira Brandão, monárquicos constitucionalistas e integralistas, e a maioria da prole governamental, sendo que os presidentes da república eram Presidentes Honorários. António de Oliveira Salazar também aderiu na onda e pertenceu à Direcção Distrital de Coimbra da organização. O ponto alto da realização da Cruzada era a comemoração do "Dia da Raça" a 14 de Agosto. Em 1920 foi aprovado pelo Congresso da República como "dia da festa nacional da República Portuguesa" mas, contudo, nunca chegou a ser um feriado oficial (muito por força da aprovação do dia 10 de Junho, em 1925). Devem os anti-fascistas dormir descansados pois a ideia de Raça, e Dia da Raça, não é parto do Salazar, que já tem mais culpas que cartórios, mas sim de bons homens republicanos por dez, ou mais, costados, de certeza.
O que me apraz referir com estas linhas é a razão da missão ideológica dos evangelizadores desta actual república que por ora nos atiram para ali amanhã por acolá sempre com o pano de fundo do receio da perda da soberania nacional. A Cruzada nasceu também com esse propósito de aglutinar "propósitos"! Vivemos hoje um estado de situações em que os pedidos de união têm uma razão obtusa de ser. Não falo da caridade (sentimento que a III República esmoreceu) mas da união nacional para; principalmente se a união for pedida para salvar um regime em decomposição que devia ser deposto! Por vezes a desunião, afastamento, ajuda a descobrir as eminências dos problemas, por vezes a desunião traz as forças.

1) LEAL, Ernesto Castro, Cruzada Nacional D. Nuno Álvares Pereira, Gil Vicente, nº 4, 2004.



4 de janeiro de 2013

O que pensa um Pensador?


Acerca deste artigo, começaria por dizer que não estou a criticar a escrita do Gonçalo M. Tavares nem tão pouco a sua escolha para a resma de ilustres. Pergunto é se um escritor é um Pensador "lá" porque escreve? Já dei comigo a ler livros de Filosofia escritos por personagens que de filósofos tinham pouco mas nunca vi num curriculum académico (Português!) a expressão Pensador. O que tenho visto é imensos artigos de jornais e biografias em que os autores apelidam adjectivamente de "pensador" o dito visado. Fica bem chamar Pensador a alguém, dá prestigio a quem recebe e fica muito bem a quem oferece o título (só pode ser por isso!)! Não me queria dispersar mas, um Pensador pensa em especial o quê? Ou pensa para além do quê? Serei eu um pensador lá porque a minha actividade é maioritariamente ideacional?
Nunca tinha chamado Pensador a ninguém mas face à liberdade desta enfatização gostaria de, publicamente, eleger alguns "pensadores", que não me importaria de convidar para escrever num reputado jornal, caso fosse editor. O meu critério não será igual ao dos afins do jornal Público, aliás, não os convidaria pelo facto de serem, ou não, Pensadores mas pelo imenso detalhe da escrita deles me fazer, realmente,... Pensar...



3 de janeiro de 2013

Ver a crise 5h30 por dia ou o processo da estupidificação


Um estudo diz que os portugueses gastam, em média, 5h30 por dia a ver televisão. Como eu não gasto mais do que 30m por dia e só após o jantar e das conversas com a família, depreendo que hajam pessoas que passam o dia em frente à televisão. Uma investigadora da universidade do Minho diz que a crise é uma das explicações. Eu tenho outra, não tipificada no artigo jornalístico: o da estupidificação do cidadão. Esta minha teoria acenta, também, no facto desta, visível, estupidificação ser transversal a outros hábitos e áreas e de fácil reconhecimento somático. Não é preciso procurar muito, a estupidificação é-nos oferecida minuto após minuto nos programas televisivos, especialmente os de "informação". Atendendo aos períodos de maior audiência, hora de jantar e após o jantar, não são só os idosos que procuram "companhia" visto as horas da manhã e tarde terem muito menos audiência e da que tem existe uma maioria entre os 30 e os 54 anos. Sobre estes fenómenos é imprescindível consultar os estudos rigorosos publicados pela ERC. Saliento o "Estudo de Recepção dos Meios de Comunicação Social", 2008, "A Televisão e as Crianças", 2009 e "Privacidade, Intimidade e Violência na Imprensa", 2010, ambos com a pena de investigadores e instituições independentes da ERC (disponíveis on-line). Continuando a minha teoria, não é o desemprego que leva a que as pessoas se sentem (mais) em frente à televisão, não só, os hábitos do quotidiano e o vício de rotinas fazem com que o "público" televisivo seja passivo e comprometido com o vazio da preguiça e do desdém por outras actividades mentais. Ver televisão deixou de ser uma "experiência" e passou a ser uma acção, diria, de grupo, de tribo, um território comum para o homem moderno que não pode parar, sempre atrás de mais e mais.... A falsa noção de que a televisão informa e educa é um dos factores da estupidificação. De facto, a programação que passa nos aparelhos é desinformadora e deseducadora porque apresenta-nos a matéria mastigada, resumida e embalada para todos e qualquer um. Há quem diga que quem não tem acesso à televisão está privado da sua "cidadania". Eu refuto essa ideia. A cidadania é feita com a participação activa e a fruição e devolução de conhecimentos que incidam sobre os outros, com utilidade ética e moral. Quem passa 5h30 em frente à televisão perde tempo precioso para si e para os outros. Onde param os livros, os jornais, as paisagens, as ciências, as artes, os museus, as conversas de rua, a escrita, os cafés, as caminhadas?... Ah, já sei... na televisão...!

Trio de cáca


Já me ia esquecendo de ter este desabafo. Nesta segunda ou terça feira vi uns instantes de um programa desportivo chamado "Trio de Ataque". Algures por ali os 3 estarolas começaram a "analisar" uma boca do presidente do Benfica ao presidente do FCPorto quando o primeiro disse que o Pinto da Costa era a Rainha de Inglaterra! O que ouvi da análise foi revelador da capacidade de "análise" dos analistas. Um, que queria dar ares de intelectual, disse "que não fazia sentido a comparação pois a Rainha de Inglaterra era uma figura decorativa e o Pinto não era" e por aí fora. Quando a vulgarização e o preconceito se sobrepõe à inteligência e ao conhecimento não há registo que aguente. Falar mal da Monarquia incha muito o ego dos, coitados, confundidos, melhor só falar mal da Igreja, dos padres e da direita. Quem disser mal disso tudo ao mesmo tempo não só passa por ser um "gajo à maneira" como é levado para o salão dos modernos! Com tanta fome, as TV's servem cáca.

2 de janeiro de 2013

PRÉMIOS 2012


Este blogge decidiu atribuir vários prémios do decorrer do ano de 2012.

1) "Prémio Viva a República":
Ex-equo para o Professor Cavaco Silva e para Mário Soares. Ambos mostraram bem como a República chegou aos 102 anos com as tetas programadas para os "seus iguais".

2) "Prémio Extremo"
Para o sindicalista Arménio, por combater para que esta república fosse a Arménia, das décadas de 30-90 do séc. passado.

3) "Prémio Quem Vier Atrás que Bata a Porta"
Ex-equo para todos os primeiros ministros desde o 25 de Abril. Menção Honrosa para o penúltimo, o engº técnico, José Sócrates.

4) "Prémio Papel Higiénico Renova Extra-grosso e Calejante"
Para a Constituição da República Portuguesa.

5) "Prémio Ressabiado Que até Dói"
Ex-equo para todos os paineleiros do programa "Eixo do Mal".

6) "Prémio De Cada Vez que Escrevo sai um Traque"
Ex.equo para o euro-deputado Rui Tavares e a jornalista Fernanda Câncio.

7) "Prémio Esgar Cândido"
Para o deputado Francisco Louçâ

8) "Prémio Paga o Que Deves e Não Te Larges"
Ex-equo para a maioria do povo português.

9) "Prémio Maior Cegueira"
Ex-equo para a maioria do povo português, em particular para os que defendem este regime republicano da "Igualdade", "Liberdade" e "Fraternidade".

10) "Prémio Sei Tudo"
Ex-equo para o deputado João Galamba e para os analistas Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes.

11) "Prémio Cortar Rente"
Ex-equo para o ministro Vitor Gaspar e a paineleira Clara Ferreira Alves.

12) "Grande Prémio Ver Se Me Apanhas"
EX-equo para a "Justiça" na República Portuguesa e para a escumalha que se dedica a pôr a dita à prova.