15 de janeiro de 2013

A casa da República sem segredos


Ontem, movido pelas minhas filhas, vi uma gravação da "gala" da "Casa dos Segredos", deste passado Domingo. Não dei o meu tempo por perdido. Pude constactar o que presentia pelos recortes dos jornais quando expõe a coisa. Quatro notas conclusivas:
1) A irrelevância do nome do programa! Podia chamar-se Casa da Tia, Casa dos Degredos, Casa da Cana Rachada, seria igual. O mais acertado seria a Casa da República.
2) Os participantes são o molho do programa. A ideia é os espectadores, no seu lar, serem um prolongamento dos participantes participando na visualização e emoção dos actos, gestos, arrôtos, delírios, pseudo-conversas e banhos de chuveiro. É maravilhoso ver estes jovens filhos da república portuguesa moderna, aquela que "não pode parar", na essência, filhos da tão propalada "classe média" que tanto sofre com a crise e que está a desaparecer.
3) A abundância de palavrões e obscenidades contrasta com a ausência de lógica dos discursos e de temas de conversa para além da cor das cuecas do parceiro, a ausência de relações sociais convincentes para além do estado de espírito de jogo. É isto que "o meu povo gosta" como dizia um antigo comentador desportivo. O lugar do vazio, o empanturrar de nada.
4) As audiências parecem provar que os que não gostam do programa são poucos face aos que adoram seguir a "vida" de uma dezena de jovens sem cultura, experiência ou objectivos para além da diversão do momento. Como agradecimento pelo carinho do público os concorrentes não se cuibem de improvisar o (pedido de) casamento em directo, após um namoro hot na incubadora da Venda do Pinheiro. A embrulhar a defecação que exalta do programa, uma Teresa Guilherme a fazer papel de mãe estouvada dos meninos vestidos à moda e em tons de fato escuro, com especial detalhe para o brilho e glamour das inscrições na pele de cada um. A ver em horário "nobre".

2 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro João,
pelo que me conta, não irei apreciar esse espectáculo que nunca vi. A reportada pobreza das conversações e das referências demove-me e a única contrapartida que poderia fazer-me balançar, a de ver algum corpinho feminino de jeito no chuveiro, está irremediavelmente empanada pelas tatuagens repugnantes, outrora típicas de solitários da Marinha e das tropas especiais, já depois de características do mundo do Crime. Além de expressamente proibidas no antigo Testamento.

Abraço

João Amorim disse...

caro Paulo

As minhas filhas riam eu não sei se ria se chorava. É que ver aquilo leva-nos a expressões muito paralelas ao que assistimos; dei comigo a dizer "uma palhaçada" e por pouco já ia nos brejeirismos à moda da casa. Não dúvide que aquela malta é fruto de um testamento recente e que os ditos não se importam de deixa pior testamento aos que os precederão.