21 de janeiro de 2013

O aborto ortográfico


Face às polémicas, discordâncias, petições públicas e privadas, estou atónito não ter lido ou ouvido nenhum responsável pela ementa do "Acordo Ortográfico" a esclarecer, acalmar ou apaziguar a discussão. Pior, mesmo com a mudança de governo os actuais detentores da pasta da cultura e educação mantêm-se calados como que a dizer: nós, também, não percebemos nada disso! No meio desta crítica pública, ainda não sei, nunca vi, o nome de alguém em concreto que tenha fecundado o nado-morto. Seria o mínimo da decência virem dar a cara os senadores de tal "virtuosismo" intelectual. Uma breve passagem pelos novos manuais e cadernos de apoio para a compreensão do "acordo", cujo nome, em si, é o pior baptismo que se podia dar, visto que o que está, definitivamente, instalado é um Desacordo, faz notar que vão passar a existir umas centenas de novas palavras, que não existiam na ortografia portuguesa e, escandalosamente, vão aumentar o número de palavras que se vão passar a escrever de forma diferente em português mas que se mantêm em "brasileiro"... ...! Em 1945 o Brasil aderiu ao "acordo", de então, mas em 1955 revogou o combinado! Não houve guerra nem amuos! Que saibamos fazer o mesmo agora que o Brasil voltou a adiar para 2016 (Angola e Moçambique já disseram que não alinham no "acordo") o tratado tratante. Reafirmo, não existe "acordo" mas sim um Desacordo ortográfico, embora, correctamente, se deva escrever "aborto ortográfico".

2 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

Então o Pai Putativo da coisa não é o Prof. Malaca?
Volto à minha, todo este terramoto linguístico não foi urdido para fazer avançar qualquer lusofonia, como demonstram os escreventes de Português de Além-Atlântico, mas para subsidiar à grande editoras em c5ise. Nos bancos injecta-se capital, neste ramo atribui-se umas massas para republicar com erros edições anteriores das diversas casas do sector.

Abraço, Meu Caro João

João Amorim disse...

Acertivo.

abraço