18 de janeiro de 2013

Portagar, direitos de portagem e de passagem


Atendendo ao alarido que aí vai por causa da colocação de mais torres de portagem nas ex-scut, devo dizer que só sou contra as ditas porque anteriores governos receberam vários biliões de euros para construir as auto-estradas e que, pelo seu fim, estas, estariam livres de custos para o utilizador, por isso mesmo, baptizadas de SCUT. Quanto às portagens, propriamente ditas, convém lembrar os esquecidos, ou distraídos, que as portagens existem há milénios. Sempre houve portagens entre lugares, terras, senhorios, coutos, prazos, concelhos, países. Uma breve passagem de olhos, por exemplo, pelos tempos Manuelinos permite verificar distintos preços de portagem entre localidades, senhorios, montados e vias de água. No que me interessa, no meu "grande" Porto, é curioso verificar que só Gondomar não exercia direitos de portagens na passagem de carros de boi e apeados mas já é dos mais precisos no direito de pescaria e outras obrigações de jeira! Estávamos nas primeiras décadas de 1500! As portagens de passagem só foram abolidas na cidade do Porto em finais do século XIX (substituídas por outros impostos com outras denominações!). No que toca à passagem de bens comerciais os cidadãos pagavam impostos de passagem de acordo com os bens que transportavam, conforme estes se faziam por entrada por terra, entrada por rio, entrada por foz. Em Matosinhos não havia pagamento de passagem desde que a passagem pela localidade não acarretasse a presença dos bens e pessoas mais do que um dia. Já nessa época existiam isenções, difíceis de obter por forasteiros mas fáceis para os vizinhos da terra. Todas as terras tinham a sua forma própria de cobrança e isenção. Hoje em dia vivemos a decadência do que chamamos "estado social" onde tudo se fazia (faz), tudo se exigia e ninguém pagava, vulgo o pagode socialista. Esses tempos acabaram. Vêm aí os tempos de andar a pé.

3 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Cunha Porto disse...

Fosse essa a consequência e até veria du bon no portagismo incontinente. Mas palpita-me que não é a alternativa pretendida pelo Ministro Gaspar e que, à semelhança do acontecido com a receita fiscal e o volume de bilhetes dos transportes públicos, corporizaria mais um tiro a sair por onde não o quereriam...

Abraço, Meu Caro João

João Amorim disse...

caro Paulo, portagens que as haja, se fizerem sentido, mas que o valor cobrado não seja um roubo descarado. No tempos quinhentistas, que refiro, o valor da portagem de passagem de productos era de poucos "centís". O "equivalente" aos nossos cêntimos.

abraço