3 de janeiro de 2013

Ver a crise 5h30 por dia ou o processo da estupidificação


Um estudo diz que os portugueses gastam, em média, 5h30 por dia a ver televisão. Como eu não gasto mais do que 30m por dia e só após o jantar e das conversas com a família, depreendo que hajam pessoas que passam o dia em frente à televisão. Uma investigadora da universidade do Minho diz que a crise é uma das explicações. Eu tenho outra, não tipificada no artigo jornalístico: o da estupidificação do cidadão. Esta minha teoria acenta, também, no facto desta, visível, estupidificação ser transversal a outros hábitos e áreas e de fácil reconhecimento somático. Não é preciso procurar muito, a estupidificação é-nos oferecida minuto após minuto nos programas televisivos, especialmente os de "informação". Atendendo aos períodos de maior audiência, hora de jantar e após o jantar, não são só os idosos que procuram "companhia" visto as horas da manhã e tarde terem muito menos audiência e da que tem existe uma maioria entre os 30 e os 54 anos. Sobre estes fenómenos é imprescindível consultar os estudos rigorosos publicados pela ERC. Saliento o "Estudo de Recepção dos Meios de Comunicação Social", 2008, "A Televisão e as Crianças", 2009 e "Privacidade, Intimidade e Violência na Imprensa", 2010, ambos com a pena de investigadores e instituições independentes da ERC (disponíveis on-line). Continuando a minha teoria, não é o desemprego que leva a que as pessoas se sentem (mais) em frente à televisão, não só, os hábitos do quotidiano e o vício de rotinas fazem com que o "público" televisivo seja passivo e comprometido com o vazio da preguiça e do desdém por outras actividades mentais. Ver televisão deixou de ser uma "experiência" e passou a ser uma acção, diria, de grupo, de tribo, um território comum para o homem moderno que não pode parar, sempre atrás de mais e mais.... A falsa noção de que a televisão informa e educa é um dos factores da estupidificação. De facto, a programação que passa nos aparelhos é desinformadora e deseducadora porque apresenta-nos a matéria mastigada, resumida e embalada para todos e qualquer um. Há quem diga que quem não tem acesso à televisão está privado da sua "cidadania". Eu refuto essa ideia. A cidadania é feita com a participação activa e a fruição e devolução de conhecimentos que incidam sobre os outros, com utilidade ética e moral. Quem passa 5h30 em frente à televisão perde tempo precioso para si e para os outros. Onde param os livros, os jornais, as paisagens, as ciências, as artes, os museus, as conversas de rua, a escrita, os cafés, as caminhadas?... Ah, já sei... na televisão...!

1 comentário:

Paulo Cunha Porto disse...

É sumamente embrutecedora a pastelada de erudição de pacotilha e empirismo asséptico que é a programação preenchida por concursos baratos e reality shows'. Antigamente, a TV era veículo para bom cinema, teatro, desporto programas de divulgação geniais e grande informação. Hoje por hoje, quando não se colam à acefalia acima referida, estão a torcer por este comentador da Política ou da Economia contra aqueloutro, prolongando à náusea a fragmentação e antagonismos partidários.
Valem os Amgos, para nos desviarem dfo monstro.

Abraço, Meu Caro João