23 de fevereiro de 2013

A esquerda a exploradora


Uma das notórias vagas que se notam nas últimas semanas é o crescente empolar das ideologias à direita e à esquerda. A Esquerda diz que combate as políticas da direita a direita reage contra o descalabro que a esquerda provocou no país. Esta batalha de posições barricadas na nossa fraca cultura política tem sido um dos sinais de decadência do homem português pós 25 de Abril. No campo de batalha emergem os jovens que se batem como "netos" d'Abril do outro jovens que se defendem como netos do nada. Quanto aos "pais", que o país bem conhece, figuram os adultos megapolitizados que deveriam ser o exemplo da turba. Mas não. O exemplo que devia vir de cima vem de baixo das folhas da teoria não praticada. Cada homem d'esquerda quer a sua sombra vista como culta, amada, amante do semelhante, dos ideais humanistas mas tudo aquilo que vi – vejo – nos últimos 38 anos é uma clara visão de um anátema provocado pela incoerência do estilo de vida dos camaradas. Sei que não todos mas, em cada arquitecto, com "nome", que se roga d'esquerda há um explorador do sistema, um cobrar exagerado de honorários pagos à custa do estado que é sustentado pelo povo (que sempre foi pobre), em cada médico, "intelectual", escritor, "sociólogo", d'esquerda há um viver bem à custa de honorários a preceito, de redes de compadrio, de "capelas doutrinárias" do amigo estado que é sustentado pelo povo (que sempre foi pobre). Em cada camarada notório há um dizer e um viver antagónico à pregação. Um dos melhores exemplos é o camarada Saramago que viveu sempre com o credo dos trabalhadores na boca mas não lhe conheço um único gesto de benfeitoria, filantropia ou solidariedade que não a crítica sobre os seus impostos ou a aceitação de uma "fundação" de benefício próprio paga com dinheiro daqueles que ele dizia defender. Face ao que exponho, direi que uma das razões porque não suporto o epíteto "esquerda" não vem da significação política, em si, mas do desgaste que me provoca esse título ser indevidamente usado para definir uma "moral", uma "conduta" ou "princípios". Neste regime abastardado, também não falta quem julgue que o título de "esquerda" (ou de "anti-fascista) é o suficiente para preencher o curriculum em branco de uma vida feita a cagar, comer e dormir.

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