12 de fevereiro de 2013

Não há quem pergunte ao PC?

"Entre nós persiste, lamentavelmente, um temor reverencial que impede que o tema dos muitos holocaustos comunistas sejam aflorados na disputa política. Estamos no último ano da evocação do genocídio dos ucranianos, que se saldou pela morte, entre 1932 e 33, de dez milhões de camponeses que se opunham à colectivização imposta por Moscovo. Que eu saiba, nenhum deputado da maioria pediu à Assembleia um voto de pesar lembrando essa tragédia da história contemporânea. Não há, nos grupos parlamentares do PSD e do CDS, ou até do PS, um só deputado que levante o debate?"

Não, caro Miguel. A nossa Assembleia é doutorada na parcimónia mental, muito menos os meninos d'esquerda. A esquerda portuguesa é boa, bonita, veste de escuro, com cáchecól, mesmo de verão, fuma, bebe enquanto fuma, vagueia pelas galerias, lê o Público, sabe de tudo, de tudo sabe, sabe de cor a canção da Gaivota, é anti-faxista, diz-se de esquerda para não se dizer Comunista, sem o dizer porque não é preciso dizer nada quando se está do lado do povo, dos trabalhadores, dos oprimidos, dos pobres, e pobrezinhos, dos necessitados! O holocausto dos Ucranianos foi há 80 anos mas não há quem chore, não há tempo, oficial ou jornalístico, que a crise em Portugal urge.



2 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

É da própria essência Revolucionária, desde a Vendeia, gritar acerca dos genocídios dos outros e calar os próprios, Também por isso, como De Maistre ensinava, a coisa não vai lá tanto com uma Contra-Revolução, mas apenas com o contrário da Revolução.

Abraço, Meu Caro João

João Amorim disse...

É a ambígua noção de "reacção" ser "revolução". O que me dá asco é a mudez prepositada das inteligências pardas da nossa sociedade pós-abrilista.

abraço,