29 de março de 2013

Amada Terra-mãe


A Páscoa sempre foi, para mim, uma época de memórias, de retorno às origens, embalado pela magistral paisagem da Ressureição. O Devir. A Páscoa é um campo onde me passeio pelas vozes dos meus que morreram, que me dizem, que me esperam tanto quanto os espero. 
Por estes dias tenho procurado ler com alguma atenção os sinais que o Papa Francisco procura transmitir. Francisco de S. Francisco de Assis. Dizia S. Francisco que a sua terra natal, Assis, era a sua "Amada Terra-Mãe". Desde muito novo que S. Francisco via a peregrinação como uma ida-de-regresso à sua pátria-terra. Este amor pela sua terra é para mim um exemplo da construção maior que encerra um país. Ninguém poderá dizer que tem uma missão se esse projecto não for plantado e lavrado na terra onde os semelhantes concorrem, digo, se a missão não for fértil em desenvolver raízes. S. Francisco sabia-o e na sua doutrina explicou-o como poucos o fizeram. Ainda muito novo este fulgor de pertença a um território fê-lo alistar-se como soldado e seguir uma breve carreira militar, bem antes de desistir dos bens de família e do conforto. Muitos dos problemas com que nos debatemos, a dita "crise", (tão centenária), provêm da ausência de amor-pátrio, do alheamento pela nossa cultura, do empobrecimento dos laços familiares, de autismo face à nocividade de discursos egoístas, da forma negligente como aceitamos a destruição do território e, principalmente, da forma como aceitamos o revisionismo, ideológico, da nossa História, feito por seitas e interesseiros na visão flácida do futuro.
Apesar de recém-eleito, o Papa Francisco está a caminhar nos trilhos da "Terra-Mãe".
Há 787 anos atrás, antes de morrer S. Francisco de Assis, doente, cego de um olho, pediu para ser deitado na terra, despida, nua, como se pedisse para ela o acolher. Amada Terra-Mãe. Como eu amo a minha Pátria. Por muito que a maioria dos meus concidadãos não a reconheçam. O meu país envolve a minha Páscoa. Onde eu me quero encontrar.

3 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro João,
para fazer de "segunda voz" a tão bela entoação e evocação da Mensagem Franciscana na vertente telúrica, sugiro um livro que recentemente por mim passou, «O SENTIDO ÚLTIMO DA VIDA PROJECTADO NAS ORIGENS», de Armindo dos Santos Vaz, em que se esmiúça a relação umbilical entre as concepções do Sagrado no Próximo e Médio Oriente, a começar pela Bíblica, e a filiação na Terra.

Abraço e Páscoa Santíssima, bem como para os Seus

João Amorim disse...

Caro Pulo

Obrigado pela informação, desejos de uma Santa Páscoa para si e os seus.

João Amorim disse...

Perdão, queria escrever "Caro Paulo".