25 de março de 2013

Hoje aprendi muito


Hoje aprendi muito. Diz Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, que com o resgate aos depósitos bancários "os riscos deixam de estar do lado dos contribuintes" e que este passa a ser o "novo modelo". "Nós", os portugueses, como aprendemos muito bem as lições não tardaremos a adoptar este novo modelo para a coisa interna. Dito assim, aprendemos que os depositantes dos bancos não são "contribuintes" e que, concerteza, a sua poupança não foi sujeita a qualquer imposto. Também aprendi que a obrigatoriedade das empresa terem conta bancária, comum em toda a Europa, e a obrigatoriedade em ter registos deixa de ter efeito pois só quem quer correr riscos é que deposita nos bancos. A "Europa" está a mostrar a sua receita neste manicómio instalado – a prescrição é para aviar na farmácia por muito tempo. 
Dijsselbloem é uma alcunha fixe para dar a um português que não gostemos apesar de haver quem goste do Dijsselbloem. Fiquei a intuir que este precedente vai aliviar a consciência dos bancários e das políticas de pretecção ante uma falência bancária: ontem eram eles a cobrir, agora somos nós a contribuir. Hoje aprendi muito; até aprendi que Contribuir já não se entende como gesto voluntário. Perguntem ao Dijsselbloem.


2 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

Ó Meu Caro João,
tudo se explica com recurso às gralhas! O que o homem, lá dos seus tamancos, quis dizer foi que os ricos não se encontram já do lado dos contribuintes e que quem quer correr com os ricos deposita nos bancos. O acrescento dos "ss" e a supressão do "com" é que fizeram sair assim o pio desta gralha holandesa que partilha do entendimento de se ser rico a partir dos 100.000 euros.
Sério, sério, esta reviviscência do confisco só se explica se o homem for um industrial de colchões ávido de vendê-los para servirem de novos cofres.

Abraço

João Amorim disse...

caro Paulo, o confisco aos bancos incide sobre todas as contas acima dos 100 000 euros, ora, se uma empresa não pode movimentar dinheiro para fora da conta que não para pagar salários, facturas ou investimentos, como é que as contas estão a salvo do confisco? Haveria muitos mais exemplos mas temo que quando isto cair cá só nos restará desafiar a lei e enterrar cofres nos quintais.

abraço