4 de março de 2013

Indignado


Vi, só agora, de raspão, notícias sobre as manifestações. Parece-me que urge inventar um manifestómetro tal é a discrepância no nº de aficcionados. No sábado não saí à rua para me juntar a molhos mas passei o dia indignado. Indignado comigo, sem me resignar, a procurar as minhas soluções para os meus problemas. Não é um passeio com cantorias que resolve a essência da minha economia ou a substância dos meus afectos, da minha esperança. Quanto às manifestações por todo o país, muito bem camufladas na sua orquestra partidária, recuso-me a participar numa acção que visa derrubar os que tentam, ainda que mal em vários aspectos, para repor os que nos levaram a isto. Em consciência, eu já levo 20 anos a prever o que está a acontecer e não me surpreende a "indignação" dos que sempre viveram e cresceram com a expectativa da cunha, do compadrio, do "é tudo nosso", do emprego do estado sem ser despedido sempre a subir nos escalões. Veja-se a propósito as declaração do sempre animal político sr. Soares quando, num tom messiânico de alzheimer, tenta comparar as pequenas e circunscritas manifestações de 1910 com as actuais movidas a iPad, televisão e jornalismo faccioso. O animal político só pecou por não ter ido mais além e ter desejado o fim do regime, já que fez a comparação com 1910, e a instauração de um novo estado monárquico limpo dos vícios tentaculares do "ser republicano" que nos tem sepultado nos últimos 100 anos! Quanto mais cantarem a "grândola" mais a cassete recua para o ponto do início do descalabro.

4 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro João,
pois eu acho que o descalabro deste regime já está em curso, só que ainda não sabe. E se o conseguirmos transferir para o regime, talvez se reacenda uma luzinha de Esperança, pois o Sistema tornou-se inimigo do País que deveria servir. Ora, aniquilar os agressores não costuma enfraquecer as vítimas...

Abraço

Paulo Cunha Porto disse...

No segundo "regime" leia-se com maiúscula imerecida, apenas para clarificação.

Ab.

João Amorim disse...

A República ainda respira porque os seus defensores estão agarrados como podem ao poder. No dia em que este caia em mãos alheias a luta vai ser outra.

abraço

Anónimo disse...

Talvez a monarquia espanhola esteja a ser um bom exemplo.