19 de abril de 2013

Nem Soares, nem Sócrates, nem Gaspar. Nesta República ninguém erra


Vários jornais dão notícia que o ministro Vítor Gaspar usou as conclusões do estudo de Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart para defender a austeridade mas que este se sustentava num erro (no excel!) agora descoberto. Não acho relevante saber essa informação. Quantas pessoas nós conhecemos que falam erradamente? Quantas políticas partidárias nós constatamos que são em si um erro e no dia das eleições, Olha!, mais do mesmo? Quantos defensores ideológicos de políticas erradas nós não ouvimos todos os dias a desfiar exceis marados na televisão? Quantos erros nós aceitamos em nós e não perdoamos nos outros? Quantos erros este país já pagou, bem caro, e os seus culpados andam aí de chafeur e carro pago pelos contribuintes, porque a "maioria" gosta de continuar a pagar? Quantas almas nós não ouvimos dizer, de carinha laroca, que são comunistas quando todos sabemos o que é/foi o comunismo e os seus custos? Porque razão os jornalistas são hábeis em divulgar constatações "pequeninas", como exceis, e não conseguem ser críticos em relação a coisas grandes-gordas como esta República? 
Porque razão o nosso ministro da economia não pode ter citado um estudo que à data da menção não se sabia errado? A visão crítica deve ser outra. O mal não está em errar – partindo do pressuposto que o erro pode ser desencadeador de outras perspectivas na pesquisa de soluções. O mal está em persistir no erro.

2 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

E depois, Meu Caro João, se errar é humano, os programas informáticos e os autoresw de políticas desumanas como as cerceadoras das concessões elementares, não se podem dar a esse luxo.

Abraço

João Amorim disse...

caro Paulo, e se formos ver noutras áreas, como podemos ficar impassíveis quando os tribunais não funcionam e os "erros" da justiça dão boa vida a tanto criminoso?