25 de abril de 2013

Todas as "vitórias" acentes em revoluções são seladas com tanto de verdade quanto de farsa


Hoje, ao acordar, a minha filha, com 10 anos, contou-me o que escreveu no teste de história: Que no tempo da monarquia o povo vivia com fome e os nobres eram muito ricos, que o Rei D. Carlos vivia em palácios e ganhava muito dinheiro, que depois de o Rei ser morto o país implantou a República e começou a aparecer a Liberdade e o pais começou no caminho do Progresso! Rejubilei. Disse-lhe que se ela tinha escrito isso iria ter um futuro brilhante e que seria bem aceite em qualquer partido, principalmente nos partidos de esquerda, e que teria um lugar garantido no jornalismo luso, caso quisesse seguir a via de Letras. Fui ver o livro escolar e, de facto, o que consta nas folhas não anda longe do que ela disse. Ínfame.
Todas as vitórias acentes em revoluções são seladas com tanto de verdade quanto de farsa. Uma coisa é a ocorrência factual outra é a forma como deve ser escrita e propagandeada. Um exemplo, o "nosso" 25 d'Abril. O que aconteceu foi uma revolta militar que pelo facto de ter infiltrados comunistas evoluiu para uma "revolução" a "favor" da "Liberdade". O que não se pode esquecer é que os revoltosos mais extremistas que queriam deitar abaixo a ditadura faziam-no com o propósito de implantar uma outra ditadura, mais férrea, logo, não pretendiam gerar liberdade! Mas a farsa veio com a propaganda e os pró-ditadores apoiaram-se na historieta dos "cravos" e do "povo unido" para suavizar e escrever um livro de boas intenções
E de farsa em farsa eu vou contribuir para esta data e encerrar esta mensagem com uma visão tão verdadeira como aquela que ensinam nas escolinhas aos meninos de 10 anos: ... e depois veio o 25 de Abril que foi uma revolução em que o povo saiu à rua para festejar o fim da ditadura e depois veio a Liberdade, a Prosperidade, a Felicidade, Trabalho e Igualdade para todos e Portugal não parou mais, deixamos de Emigrar e podemos falar todos de política e quem quiser pode ser Presidente da República e depois vieram as auto-estradas para nos levar ao Algarve e um rôr de coisas Maravilhosas que nos fazem ser Hoje muito Felizes e Prósperos, muito Íntegros e muito Satisfeitos, tal como hoje somos.

2 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro João,
por ter marcado um pasaso de arrepio no envenenamento das Crianças o Ministro Crato é credor de toda a minha simpatia, ao decidir a supressão das inenarráveis aulas de "Educação Cívica".
No resto, quando os formandos virem a discrpância entre a lavagem ao cérebro e o mundo real que lhes dão, o choque será muito mais violento. Esperems que salvífico, também.

Abraço

João Amorim disse...

Como diz. Graças a Deus, a minha filha leva com a "versão oficial" mas depois aprende em casa a verdade histórica e isenta.

abraço,