17 de abril de 2013

Uma notícia "de Telejornal": Homenagem a Victor Wladimiro Ferreira



Uma notícia "de telejornal" que não será noticiada como deveria ser: a evocação, na Biblioteca Nacional de Portugal, com a colaboração do Centro Nacional de Cultura, a Victor Wladimiro Ferreira. Fico feliz por esta homenagem.

Victor Wladimiro Ferreira disse-me, por escrito, que confiava em mim. Temi quando li essas palavras pois tal elogio eleva a responsabilidade de quem as recebe. Espero ter estado à altura de tal generosidade apesar da brevidade da nossa amizade. Estou certo de que em nada me destaquei mas a sua ausência e saudade vem comprovar o bem que me influenciou. Várias das nossas trocas de correspondência tinham a ver com um projecto em que eu me dispus voluntariamente a colaborar. Infelizmente não foi no seu tempo mas estou certo que com a ajuda dos seus filhos a obra verá a luz do dia. À custa de tal empreendimento eu conheci a família Castelo Branco Graça Ferreira e conheci o país. Um país mais complexado do que eu supunha, um país que não sabe reconhecer pela genuinidade mas pela cunha, um país onde as editoras recusam editar sempre que o tema é uma ex-colónia, um país com gente que tem medo de ir além do politicamente correcto, um país onde o tema da "descolonização" é um dado intocável, um país onde em reuniões com editores, que eu bem conhecia, pelo facto de eu apresentar pinturas, únicas, autênticas viagens analíticas, sobre vivências de Moçambique, me perguntaram se eu era simpatizante do colonialismo. Em boa verdade, caro professor, fomos colonizados pela ignorância, pela inferioridade dos que nos governaram nos ditames do facciosismo que queriam revolucionário, tão revolucionário quão pobre e vazio, qual o actual estado do país.
"Um Homem Livre", assim diz o seu filho Miguel Castelo Branco. Mais do que livre. Victor Wladimiro Ferreira possuía, pela sua integridade, Alma e cultura, o dom de Libertar.


3 comentários:

Paulo Cunha Porto disse...

As editoras, ecoando os politiquinhos, acharam que a redução ao Rectângulo era o meio de tornar o País... recto. Trata-se de má Geometria, portanto, o que não espanta, quando o aproveitamento a Matemática é a miséria que se conhece e vai carpindo.
Salvam-se desse complexo anti-ultramarino Espíritos como o Homenageado e o Caríssimo João.

Abraço

João Amorim disse...

Como é que eu lhe posso explicar, caro Paulo, mas, a noção que eu tenho de pátria também está nos laços dos meus antepassados e nos passados caminhados pelos meus. Pelos nossos antepassados. Quando me dizem se eu acho (sinto) que o Brasil ou Moçambique é meu, no sentido preverso de verificarem se me sinto "Dono" da coisa, eu costume responder que não... eu sou do Brasil, de Moçambique, ou de onde paira parte da minha história.

abraço,

Paulo Cunha Porto disse...

É a diferença entre o simples Patriotismo e o Nacionalismo, na concepção Maurraseana: o primeiro, mero amor ao solo em que se nasceu e à sua expressão jurídica. O outro, a assunção querida da Herança.

Forte abraço