30 de maio de 2013

Com a CRESAP podemos ficar descansados


Não nomear pelo "curriculum" pode ser frustrante. A Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (CRESAP) poderia dar que falar se não confinasse a sua actividade a "gestores" nomeados para altos cargos públicos. Se a dita comissão avaliasse os dirigentes não eleitos nos quadros intermédios da administração local, regional e participada, então, poucos dirigentes seriam nomeados. Mas começemos pelo princípio. Quem nomeou a CRESAP? E quem nomeou a comissão que nomeou a CRESAP? Este pequeno detalhe, "ridículo", porventura, na opinião de quem vier a ler este artigo, é o espaço que permite um proponente vir a ser nomeado. Segundo, os critérios são estabelecidos pela CRESAP ou pelas entidades/instituições que recebem os nomeados? Este segundo detalhe, também, "ridículo", porventura, na opinião de quem vier a ler este artigo, é a diferença que permite um proponente ser ou ser o ideal-nomeado. Mas vamos aos meu óbices. O detalhe da caracterização psicológica das avaliações e a garantia associada! Face a esta notícia, os psicólogos do trabalho vão ter uma vida difícil ante tão generosa e sublime capacidade de avaliação psicológica da CRESAP. Tão grande quanto a capacidade dos juízes do Tribunal Constitucional em avaliarem a qualidade psicológica das propostas governativas. De igual modo, de que forma o rigor da CRESAP pode gerar a garantia de uma prestação adequada e genial por parte do nomeado?
Com a CRESAP podemos ficar descansados. Não é por falta de avaliações curriculares que os cargos públicos, não eleitos, ficarão mal entregues. Resta-nos, então, pensar que o que, quase todos, precisamos é de um curso intensivo empinaCRESAP para que possamos conseguir avaliar os proponentes a cargos políticos que mandamos para o governo e que depois não paramos de insultar. Não ousemos reclamar, a culpa não é deles. A culpa é nossa. 

2 comentários:

Anónimo disse...

Dá-me ideia que alguém esperava ser "nomeado" por favor... estás aí, Relvas? Coitadinho, ter de provar valor para exercer um cargo pago pelos contribuintes! Onde já se viu??

João Amorim disse...

caro anónimo

Tem toda a razão. É pena que o amiguismo seja uma "das formas de estar" de muita gente.