4 de junho de 2013

Depois do Adeus


Depois dos rios de subsídios que o Socialismo esvaziou de norte a sul, de este a oeste da Europa, as novas gerações encontram-se entre o desemprego dos pais, a frustração de ver a torneira seca, agora que chegou a sua vez, e o vazio que a política transporta para a vida quotidiana. Se no tempo dos jornais-panfletos e dos noticiários, uma vez por dia, às 20h00, a "rua" já tinha perdido a rudeza dos primórdios do séc. XX, os dias que correm são ricos em fibra óptica e bandas largas, o que é o mesmo que dizer, que os comícios despertam-se nos computadores, entre a pasmaceira e o ócio – entre o ódio e a inveja pelo outrém. Nunca foi tão fácil bradar e alarmar, tocar a reunir. Primeiro por nichos, depois por magotes, os pacotes trazem toda uma série de opções para comunicar a desilusão. De igual modo, nunca foi tão fácil mentir, copiar, manipular. Se juntarmos a isso um atrofiamento ideológico, generalizado, provocado pela contínua evangelização pelo progresso, então temos uma sociedade débil e articialmente apetrechada para solucionar problemas. E é desta forma que quando vemos alguém a emitir soluções o que ouvimos é: mais Estado, mais direitos mais despesa, independentemente onde o dinheiro cresça!
A juventude Turca não vive uma civilização (tecnológica) diferente da do resto da Europa, um pouco melhor apetrechada que os seus vizinhos medio-orientais, já primavris. A contestação que se vê em Istambul não é só uma reacção, a uma suposta, islamização da sociedade! É uma atitude frontal de uma sociedade que desespera por melhorias económicas e cujo desemprego galopante não torna a mais dócil ou pragmática. Que ninguém duvide, nesta época de mediatismo virtual, a violência é um gesto que substitui palavras onde estas não existem, uma forma de festejar o desalento e exibindo-o como compensação. Nem todos possuem uma índole violenta, mas mesmo que a não tenham, a passividade e a complacência são amigas da agitação. E bem sabemos como acabam as agitações: com mais dureza e totalitarismo. Infelizmente, os pirómanos excitam-se a atear o fogo a a participar nos combates ao incêndio, os pirómanos políticos excitam-se a incendiar as massas e a manietá-las no egocentrismo das ambições ideológicas. Olhar o país, ver os erros passados, construir uma una solução, fica para depois. Para depois do Adeus.


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