11 de junho de 2013

Um evento confrangedor


As comemorações do dia 10 de Junho, que dizem ser de "Portugal" são um evento confrangedor. Os mesmos textos, os mesmos medos, a mesma retórica, a mesma hipócrisia. Nos últimos dez anos, pelo menos, não me lembro de um discurso que fale sobre o verdadeiro Portugal, que evoque os nosso mortos, que seja construído para nos manter vivos. Portugal está a morrer, numa fogueira que arde lentamente desde há 103 anos e cujas achas têm sido fustigadas nas últimas décadas. Não há nada de relevante nos discursos para além do cheiro pestilento que cada frase atinge. Não é o Presidente Cavaco. Todos os presidentes, os ministros, todos os que se levantaram por Portugal sem que tivessem espinha para isso, são culpados da ausência de um ideal, de uma esperança que nos una. Se o dinheiro que a Europa nos enviava nos unia artificialmente, pouco resta, agora, que nos salve da verdade que o regime comporta. Somos uma República que potencia e absorve os interesses pessoais e partidários acima dos deveres imparciais. Um verdadeiro Presidente devia dizer isto, alto e a bom som; não se trata de demitir o partido que governa, a pedido de outros crápulas, trata-se de demitir todos os partidos, todas as chupadorias, e após, demitir-se e arrear o trapo que está hasteado no Palácio de Belém.

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