29 de agosto de 2013

Nobody fuck with the USA


Lembro-me de estar sentado numa esplanada, sombreada por duas grandes árvores num bela praça em Salónica, corria o ano de 1986. Em Setembro, precisamente. Eu fazia o InterRail e havia chegado à Grécia, pré-troika, através do "Expresso do Oriente"; uns dias antes tinha visitado Zagreb e Belgrado. Na dita esplanada conheci uns americanos. Um deles, que também tocava guitarra, como eu, dizia-me a propósito do ser, turista, "americano": "Nobody fuck with the USA"! Esta frase ficou e de quando em vez lembro-me dela e da cara do autor, até, pela expressão de imunidade que o dito sentia. Passados estes anos, caso o americano esteja de boa saúde, imagino o que o meu companheiro de esplanada deve pensar.
A arrogância dos americanos e a sua maquilhagem bélica é algo único entre os povos. O "I have a dream" que ontem celebraram mostra que o sonho daquele povo vai muito para além das igualdades de oportunidades e descansa mais na visão de um mundo policiado por GI Joe's do que num planeta desarmado e entregue a cada qual. É este sentimento de intrusão, para os americanos tão natural, que leva um "prémio Nobel da Paz" a desenterrar o machado da guerra e a lançar avisos sobre a conduta de uma facção em guerra, contra mercenários terroristas que procuram alimentar uma guerra civil (e que podem ter sido os autores do ignóbil lançamento de gás sobre a cidade de Damasco). Vários órgãos de comunicação, entre eles a Al Jazeera, já mostraram imagens de capturas de equipamentos de lançamento de gás aos rebeldes Sirios, pelas forças governamentais. Mas nada serve para demover os estrategas americanos que vêm por agora uma oportunidade para lançar ataques no país que mais tem resistido às Primaveras. Caso o façam, em resposta a um presumível uso de armas químicas por parte das tropas regimentais – e coagidos pelas imagens de crianças mortas nesses ataques – a resposta dos não-aliados pode ser fatal para as seguintes ocorrências no médio-oriente. Uma guerra global pode estar eminente caso os Russos não baixem a bolinha e deixem os americanos lançarem os tão apetecidos petardos sobre os alvos cirúrgicos, ataques, onde, certamente, não morrerão mais crianças... 


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