7 de outubro de 2013

Já não há respeito por um camarada


O laureado, com justiça, José Luís Peixoto, amigo da esquerda boa, de que fala Louça, foi assaltado e agredido na Guiné - Bissau, "pais" onde os camaradas do PAIGC se andam a matar mutuamente desde 1973 na luta pelo poder (talvez seja o "país" com mais assassinatos de chefes de estado, por década, desde a antiga Roma). A linda Guiné, por onde anda Peixoto, é um "país" amigo de Portugal, muito mais amigo depois do Conselho da Revolução, d'Abril, ter participado no reconhecimento relâmpago da independência da Guiné e mais ainda depois do sr. Mário Soares, nos anos 80, ter anuido a receber o foragido presidente Luís Cabral para um simpático exílio em Portugal; se a memória não me falha, na mesma altura em que são conhecidas e divulgadas valas comuns em várias regiões da Guiné com os corpos apinhados e mutilados de soldados portugueses e de soldados africanos que combateram por Portugal, fuzilados e estropiados por ordens directas do amigo Cabral. Desde o golpe de estado de 2012 que, a Guiné devia parecer calma para este escritor-viajante, adepto da Coreia do Norte, e, talvez por isso, o agredido não tardou a explicar que encara o que lhe aconteceu como um "acto isolado". Temos aqui uma consciente veia diplomática. Ora, é para isto que serve a sociologia politicamente correcta. O problema não é a Guiné-Bissau – fundada no terrorismo étnico e comunista – ser um dos locais mais violentos de África, o problema, então, esteve no desconhecimento da personalidade do assaltado pelos assaltantes, esses iliterados. Já não há respeito por um camarada.


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