13 de outubro de 2013

Jornalismo etiquetado



O jornal Público desenvolve uma reportagem sobre Rui Moreira e descreve com notório voyeurismo os aspectos pessoais e familiares do visado sem esquecer o essencial preconceito pela linguagem politicamente correcta e as inerentes colagens e etiquetismos bem direccionados. Citações de amigos e colaboradores de campanha compoêm o ramalhete e descrevem a "personalidade" do presidente da Câmara do Porto. Estou certo que ao ler o artigo, Rui Moreira, deve esboçar um sorriso quando Helder Pacheco lhe atribui "um certo pensamento republicano, numa certa tradição liberal de esquerda setembrista e patuleia" (eu nunca vi um elogio tão complexo e reboscado, tão insosso e salgado) e quando, mais à frente, o jornalista exalta-se a baptizá-lo com "uma imagem de portuense e portista culto, engagé, corajoso, informado e, à boa maneira republicana, determinado a bater-se por causas". Mas o que é isso do "pensamento republicano" e "boa maneira republicana", das "causas"? Necessito de fazer um desenho do que foi, de facto, o "pensamento republicano" de 1890 a 1910 (arruaçeiro, conspirador, regicída), de 1910 a 1926 (terrorista, opressivo) e de 1926 a 1974 (ditatorial)? Teria sido fundamental o jornalista ter perguntado ao Rui Moreira o que ele acha do "republicanismo" e se os "republicanos" são os únicos a terem causas porque se bater!

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