15 de outubro de 2013

"Nada mais errado"


A "poetisa" Margarida Botelho canta a marcha da CGTP, do "25 de Abril", dos direitos, e vai tentando rimar com liberdade, igualdade, os "grandes erros" (deste governo, claro). É tudo muito bonito, legítimo, mas não passa de um poema negro, tão negro como a situação. A Margarida parou num tempo antes de ter nascido. A Europa mudou, Portugal mudou, o mundo mudou velozmente nos últimos dez anos. A Constituição de 1976 está desadequada e adaptada ao (antigo) Escudo. A nossa moeda é outra. Já não nos relacionamos da mesma maneira e a forma de trabalho e relacionamento empresarial é assustadoramente diferente dos anos 90. Vivemos, também, uma sobreposição de civilizações (tecnológicas). A natalidade ficou no papel. Os vivos continuam a envelhecer e a fórmula do nosso sistema contributivo, em que os descontos pagam reformas (não "descontos" [tipo PPR] como a esquerda sempre fez questão de proferir e mentir por conveniência), já se afunda em défices e tem um rácio de quase 1,5 para 1! Os poemas agora têm de ser outros. A poesia não me dá de comer. As boas intenções não me pagam as contas. Precisamos de outra prosa, mesmo que dura, mas real, a que nos faça falar e escrever sobre o mundo que aí vem com soluções que resolvam o fim, já iniciado, da actual Segurança Social, feito à medida dos anos 70 mas desajustada para o presente e para os anos futuros, muito próximos. Eu não quero poesias na rua que me levem a uma ditadura social do tipo "se eu não tenho tu também não podes ter", não quero uma poesia que me rape as ambições ou que me roube o fruto do meu esforço, nem pretendo marchar para o autismo do socialismo utópico do dinheiro emprestado, tão pouco quero atravessar pontes para um passado inclinado que nos levou a este fosso. A única poesia que eu quero ler é a rima da discussão que devemos exigir aos que nos governam, mas, discutir uma mudança radical que nos permita ser sustentáveis, enquanto país - independente – e que decidamos se queremos sofrer mas erguermo-nos, pelos nossos, ou se queremos penar pela covardia em aceitar que o tempo foi, vem, e nos obriga a adaptar. Não é um direito, é um Dever.

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