7 de outubro de 2013

Portugal


"Portugal está a 30 anos do seu 900.º aniversário. Em 2043, sopraremos 900 velas. É obra. Na ONU, se os países fossem ordenados por antiguidade, julgo que Portugal (1143) só seria suplantado pelos impérios orientais, que parecem imunes ao tempo, e pela Inglaterra (1066). E, se o critério fosse a imutabilidade das fronteiras, até os chineses teriam de dar prioridade aos portugueses. É obra. É motivo de orgulho. Não, não estou a invocar o lero-lero quinto imperalista da missão universal. Estou apenas a falar da calma serena que nasce da simples constatação: estamos aqui há 900 anos.
Além de motivo de orgulho, os 900 anos são uma campanha de publicidade que se escreve sozinha. Conseguem imaginar o impacto do "the oldest country in the world" no nosso turismo? Eu consigo. Porém, de forma trágica, os portugueses ignoram a proximidade dos seus 900 anos. O país está desligado da sua própria fundação. Portugal foi fundado em 5 de Outubro de 1143. Sim, não me enganei no dia. Portugal foi fundado num 5 de Outubro, o mesmo 5 de Outubro do golpe de estado que implementou um regime anti-democrático e violento vulgarmente conhecido pelo eufemismo I República. Por outras palavras, a glorificação dos revolucionários de 1910 esconde a fundação do país. Portugal fez 870 anos no sábado, mas a elite comemorou 103 anos de um golpe de estado que uma minoria impôs ao país.
O país é anterior às ideologias. O país precede os regimes. Os regimes e as ideologias existem para servirem o país, e não o contrário. Ao celebrar 1910 em vez de 1143, a III República está a dizer que Portugal existe para servir a ideologia da esquerda jacobina. Eis o absurdo que leva as almas sensíveis a rotular de "fascistas" ou "nacionalistas" aqueles que têm orgulho nos (quase) 900 anos do seu país. Mas podem ficar com o rótulo, que eu fico com o orgulho. Um orgulho que será partilhado por todos daqui a 30 anitos." 

Henrique Raposo, Expresso

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