11 de outubro de 2013

Praguentos



Entendo todas as indignações mas não encaro o insulto e a violência verbal e física. Do mesmo modo, não entendo os corajosos que afinal são do "disse não disse". Se dizem, assumem. A mea culpa e mea desculpa apenas ilustra a mea personalidade dos meãos. Não é de agora. Lá longe no tempo em que os homens se faziam com os músculos das pernas e dos braços os praguentos (1) eram muitos e tinham lugar cativo nos poemas populares e nos folhetos de Teatro. Muitos destes personagens (no teatro escrito) tinham como ponto alto a contradição e o desdizer perante a força da espada. A sociedade não mudou, mudou o estilo e a edição/publicação, agora nas redes sociais, mudam-se as denominações – de praguentos a paineleiros, "cronistas", fazedores de "opinião". Talvez seja um tique português pensar mal de tudo precipitando o ódio e a falta de educação à frente da inteligência. Uma coisa é a crítica, mesmo que emocional, outra é a falácia. Como disse, não é de agora. Uma passagem pelas deliciosas peças de teatro de Luís de Camões (porventura, o seu estilo menos conhecido) mostram-nos como se figuravam os personagens e a contextualização social dos finais do séc. XVI; na minha opinião, de uma forma mais genuína do que em Gil Vicente. Na "Comédia d'El-Rei Seleuco" lá diz o Mordomo, ao público na plateia, a modos de apresentação da peça: "Ora quanto à obra, se não parecer bem a todos, o Autor diz que entende dela menos que todos os que lha puderem emendar. Todavia, isto é para praguentos, aos quais diz que responde com um dito de um filósofo que diz: Vós outros estudastes para praguejar e eu para desprezar praguentos."

1) Maldizentes.

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