25 de novembro de 2013

O muro


Com a paz que quatro dias trazem após o "evento", dou comigo a pensar o que leva a pandilha da "defesa da Constituição, da democracia e do estado social" a juntar-se num auditório formatado para as estações de televisão? Eles defendem o quê? Especificamente, ao que vêm estes "amigos"? Porventura algum deles apontou soluções para os problemas? Porventura algum deles enunciou erros do passado? O que a pandilha, descarada, pretende é filiar o seu nome no muro Abrilista/berlinista que julgam nunca puder ser derrubado. As boas intenções de "Abril" na construção de um edifício resvalaram, pela mão de muitos velhacos, alguns presentes na passada quinta feira no dito auditório, para um muro, cinza, sombrio que não nos permite vislumbrar saídas, seja para a crise económica, social ou moral, que vivemos. Os distraídos e os envolvidos não o visionam antes o acham pleno na paisagem. É esse muro que nos depara e nos pára. Não temos de ter medo de sair! A cada discurso da pandilha ergue-se mais um tijolo e enterra-se a coragem dos que sem medo não temem a mudança e ousam lutar pelas gerações futuras. O tempo trágico pede homens com esperança, sem preconceitos, descontaminados da propaganda dominante – que domina. Só quando deitarmos abaixo o muro que nos ergueram com mentiras, falsas palavras, saque, ignomínia e traição poderemos construir um país cujo corpo não seja uma prisão.

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