5 de novembro de 2013

Um atraso


Sou irredutível com os horários marcados e apenas por duas vezes, em vinte anos, cheguei atrasado a uma reunião de trabalho. Tive sorte, dizem-me. Talvez. Já me aconteceu chegar uma hora antes do combinado por suspeitar de excesso de trânsito. Prefiro assim. Mesmo que aflito de afazeres um encontro merece nota especial na minha agenda e nunca me senti dono do tempo de outrém. Prefiro abdicar do meu tempo. Uma ida do Vice-Primeiro Ministro a uma recepção em Macau pode ter muitos contratempos mas é para precaver essas situações que existem quilos de secretárias(os) nos Ministérios, telemóveis (para avisar se chega cedo se vai para tarde), saídas e chegadas "VIP", polícias de trânsito, ruas vedadas. Paulo Portas atrasou-se e, Diplomáticamente, não há desculpas. A única, e legítima, seria um motivo de saúde. Não adianta funcionar à maneira Portuguesa. À nossa maneira, a culpa não existe e é sempre dos outros, do vento, das coisas, dos problemas. É assim com os atrasos, com a economia, com o trabalho, com as amizades. De tantas desculpas não é novidade que, por cultura ruim, desculpemos os erros dos políticos. É um atraso.

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