31 de dezembro de 2013

Sei que encontrarei


Não colecciono os pedaços de tempo que se afiguram por bons ou maus. Não faço selecção dos "melhores momentos". Não uso o novo em prol do velho. Não uso médias para qualificar espaços de vida. Não recorto a minha vida por anos, antes, vejo os anos como mera referência arquivística. 
A alegria e a tristeza são, para mim, uma só matéria construída com 2 lados. Por vezes de um lado só. Mais do que a vivência, o tempo, por si, acalma a dor ou a satisfação e diz-me que tudo vai, independentemente da minha força e da minha razão. Enquanto existo procuro deixar-me ir, nesse tempo, em que estou, que é a mesma brisa dos idos – ou longínquos – tempos que me precederam. A brisa que eu chamo de permanência. E como a sinto quando vejo partirem os que amo, os que ficaram para trás e que, levado por esta brisa, encontrarei mais à frente.

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