12 de fevereiro de 2014

Não é "administração pública" mas "república"


A República foi implantada através do terrorismo que tudo assaltou. No dia 6 de Outubro não faltavam adesivos, daqueles que sempre foram a favor da "mudança", cujo propósito era a apropriação do espólio público. Este estudo, pouco original, devia remeter para o óbvio que não vem, de certeza, como conclusão: a essência do regime. Apelidar de boys é tão fino como dar um doutoramento honoris a um analfabeto. Os boys e as girls não controlam a administração pública eles sustentam a República pois esta não sobrevivia numa estrutura administrativa ética e transparente, muito menos se aguentaria se não vivessemos no estado do é tudo nosso. Nomear alguém de confiança não tem nada, nada, de mal se o convidador for de confiança e se o convidado também o for, o que inclui, este, possuir o grau de competências necessárias para o cargo a desempenhar, independentemente de quem vem o convite. O que tem de mal é a administração pública ter milhares de cargos de confiança e estar concebida numa pirâmide de confiadores e confiáveis a gosto, desde o Presidente da república ao estivador que confia na confiança que tem no secretário da direcção que tem confiança com um director que confia que uma cunha para o primo é tão natural como a sua sêde.
A minha experiência com as universidades também me demonstrou que as ditas estão cheias de professores convidados pela confiança dos que gerem os departamentos e que após os apressados doutoramentos, para se vincularem, lá vão ficando e se posicionando para exercerem o poder da confiança. A República é um modelo potente e as múltiplas "administrações públicas" e semi-públicas replicam a fórmula! Não é a "natureza humana", como dizem, a culpada do amiguismo e corrupção, o desejo tem formas de ser controlado pela lei e pelo decoro das maiorias. Mas como é que querem que a nossa sociedade se construa pelo Mérito se o idealismo em vigôr é o da terraplanagem intelectual e moral, suscitadora do oportunismo?

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