30 de abril de 2014

Macacada



Anda tudo com o fuzil no ar por causa da "espontaneidade" do jogador de futebol Dani Alves. Atiraram-lhe com uma banana num estádio e o dito jogador, em pleno labor desportivo, abriu a casca e comeu, regalado. O adepto da banana vai ser "irradiado" dos estádios, a imprensa bonitinha exalta, as redes sociais fervilham. Mas, vamos supôr que o adepto tinha levado uma merenda para o estádio e gosta mesmo de bananas sendo esta o que ele tinha mais à mão e à maneira de ser um bom objecto de arremesso...! Se o adepto tivesse atirado uma sande de Porco Preto valeria o mesmo? E se tivesse atirado uma cueca de fio-dental, estaria a chamar-lhe gay? Ver como um símbolo insultuoso, racista, uma simples banana parece-me um exagero que só é aceite por ter encaixado bem em televisão e nos media, histéricos em arranjar uma cruzada moralista. Eu gosto de bananas, óptimas para digerir após um bom exercício físico, e não me sinto macaco! Não me importo nada que outros digam que são macacos, se assim o sentem, se se realizam na macacada.

28 de abril de 2014

Vasco Graça Moura


Vertical, constante, culto, sem complexos nem medos do figurino dominante do meio editorial e "intelectual" português, homem de Palavras e poeta de emoções, partiu para a transcendência, Vasco Graça Moura. Há uns anos, numa efeméride das Edições ASA, falei largo tempo com ele sobre pequenas coisas do seu e meu ofício. Ficou-me na memória esse encontro. Fica no meu calendário este dia de luto. Que a memória de Vasco Graça Moura conforte o espírito dos que ousam alimentar-se de actos de sinceridade e amor à, nossa, ensombrada, pátria.

24 de abril de 2014

O simbolismo


Os encantados situacionistas vêm símbolos e cravos em cada metro que se lhes depare aos olhos. Dizer que um cumprimento entre a filha de Marcelo Caetano e Otelo Carvalho é uma "reconciliação", uma "mensagem" (??), é um vómito. O único símbolo presente é a falta de carácter da "organização", dos (ad)oradores e da filha de Caetano. Cumprimentar um terrorista, Nunca...

Propaganda d'Abril


O mesmo cuspe o mesmo fel. A propaganda audível em 2014 é a mesma de 1974. Os que berram berram para dentro e querem que os outros berrem o mesmo naquilo que eu qualifico como uma imposição ditatorial da mentalidade. Porque, tem de ser.... para preservar os valores d'abrile! Riam.

22 de abril de 2014

Para depois


O jornalismo de ocasião não tem teclas a medir para debitar os mais estridentes factos sobre o "25 de Abril"; nem a vitória do Benfica abanou as convicções dos paineleiros e jornaleiros em marcha-a-trás alucinante. O "25" serve para tudo: para pintar paredes, para fazer poesia, para reeivindicar justiças, para ajustar salários, para criar novos partidos, para ajudar aos negócios privados!! Tanta euforia remete para uma crescente ficção onde, pelas mais variadas ilustrações, se tenta ensinar o "25". O que foi! O que é!... no fundo, o que uma cambada gostava que tivesse sido e que, ano após ano, persiste para encher milhares de Curriculuns que, não fora o "25", não passariam de uma folha em branco. Esta ilusão imaginada pela imprensa avençada aos "valores" dos, ainda, instalados é o caminho para a farsa histórica que traça caminho desde a implantação da República com sintomático agravo após o fim de Portugal. O Estado diz como nos devemos sentir, como devemos olhar, afirma-nos e dizemos que sim, porque doutro modo não nos sentimos bem, ficamos à parte dos amanhãs cantantes e não somos convidados para dançar a grândola. A história, os factos, pequenos e grandes, positivos e negativos, por certo, a objectividade, a honestidade, as traições, as mentiras, o terrorismo, as perseguições políticas, a verdade sobre o ostracismo (quase genocída) de Portugueses e de Portugueses-Africanos, ficam para depois, para o registo particular, não noticiável, só ampliado (muito) do lado conveniente para a festa.

16 de abril de 2014

Abril "– porque pra sempre fica este poema!..."


(...)

Ó justiça dos séculos, ó justiça da História,
inscreve-lhes os nomes no muro da ignomínia,
para que as gerações lhe cuspam na memória!

Fez-se a paz. Portugal
tem um punhal no flanco.

Crespo, Cunhal, Vasco, Antunes, Soares,
Costa o Judas, Otelo, Rosa, Santos...
Os vendilhões da Pátria! E mais, e tantos!
Hidra de cem cabeças vis alvares!

Fiquem os nomes seus patibulares
no mura da ignomínia, sim! Espantos
dos espantos, mais sinistros de quantos
inda tinhas, História, pra contares!

Monstros num monstro só, porque eles são
os irmãos-siamezes da traição!
Mentirosos, venais, macabros, reles!

Atira-os, ó Desonra, prá buraca
onde a História tem a sua cloaca!
E, ó Nojo, vomita em cima deles!

Nomes de ignóbil tema,
aqui ficam pra sempre,
– porque pra sempre fica este poema!...

(...)

excerto da poesia "Comédia da Morte", Vid. Obra Poética Escolhida. Volume III. A Comédia da Morte e outros Poemas. Lisboa, 1979

11 de abril de 2014

Eu também vou fazer uma cerimónia, perpendicular


A associação particular do Vasco não vai comparecer às cerimónias na Assembleia do 25 do 4 e promete fazer uma "cerimónia" paralela. Por isso, andam todos aflitos. O Mário Soares também não vai, Graças da Deus. Uns para o Rossio, outros para outro pousio. Eu também vou fazer uma cerimónia, perpendicular às das deles, bem simples, onde vou reafirmar que sou livre, sem amarras ou medos, livre, porque não sou um cão domesticado das ideologias, complexos e partidos, nem dos agiotas que precipitaram o fim histórico de Portugal e de outros gémeos que persistem em escavar o buraco em que nos encontramos.

9 de abril de 2014

Há cada pessoa


Pessoa, adorado, idolatrado, imaginado para além da pessoa que era, é agora anti-monárquico. Esta descoberta subtil vem fora de tempo e peca por 4 anos. Fosse parlapatada em 2010 e não haveria uma cidade sem uma estátua ao anti-monárquico. Todavia, se nos retivermos nos pormenores, Pessoa foi "anti-monárquico" por 3 anos, anti-republicano por 18 anos, semi-salazarista por 7 anos, se seguirmos o critério psicológico dos autores do livro Mensagem e Outros Poemas sobre Portugal, que será brevemente lançado! Acérrimo crítico da República, da usurpação da bandeira azul-branca, dos políticos da I República, Pessoa chegou a declarar vivas a Sidónio Pais. Parece-me bem mais relevante que uns panfletos escritos aos 17 anos logo após a sua chegada da África do Sul. Mas sobre Pessoa já sabemos que há muitos Pessoas.

8 de abril de 2014

Esperar

Num exercício de saúde intelectual, Manoel de Oliveira, vai iniciar a rodagem de mais um filme. Aos 104 anos o realizador enceta uma curta-metragem que eu suspeito poderá vir a ser a sua melhor reflexão em cinema  – "O Velho do Restelo, uma reflexão sobre Portugal e a sua História, a partir da situação de crise que o país actualmente vive". E quanto se poderia dizer sobre isso. A sabedoria não é um dom que se adquire pela adição da idade, aliás, é pela idade que se perde muita sabedoria, especialmente a "de pacote", quando esta é uma componente falsa e superficial do nosso envelhecimento. A verdadeira sabedoria cresce com a veracidade com que interpretamos e dialogamos com o mundo, dos afectos às pequenas coisas, tornando-nos prudentes, porque sinceros, não que isso advenha do medo mas pela soma das vicissitudes que nos rodeiam. Manoel de Oliveira sabe em que país vive! E sabe que país quer! A sua frontalidade, que eu ouvi e presenciei através das palavras que dirigiu a S. S. Bento XVI, em Lisboa, é parte da sua linguagem e a sua vida é, em si, um exemplo da sua comunhão com o mundo que percorreu e a que se dedicou. Ao contrário de outros "sábios" de latrina que nos entopem os ouvidos com lamúrias reivindicativas e revoluções caquécticas reumatóides, Manoel de Oliveira ensaia a juventude das palavras através do seu olhar centenário. Se eu tivesse que procurar uma palavra que estivesse de acordo com a "fama" que o realizador granjeou junto da crítica, com o pausar da suas películas, eu diria que esta seria Esperar. E como é sábio, saber esperar. O Velho do Restelo, Esperar para ver.

7 de abril de 2014

Lá se fazem, lá se pagam


Na Ucrânia, rebeldia não falta. Após semanas de motins pró-UE que resultaram na queda de um governo eleito democraticamente e na promoção de para-militares a militares de ofício, este país vê surgir mais um grupo rebelde, desta vez, pró-Rússia. A comunidade internacional pasma-se e admira-se! Após a Crimeia separatista, eis Donetsk separatista. Kiev avisa que não aceita mais motins pois só o que pôs este Byurô no poleiro é o único legítimo; na senda das atitudes congruêntes dos camaradas. Lá se fazem, lá se pagam. Vamos a ver qual o respeito que os ex-revoltosos têm pela Revolução.

Foto: Público

2 de abril de 2014

Depois de se ler a entrevista a este "político" alguém tem coragem de pedir responsabilidades aos outros políticos?


Cuspir na história, no povo português, especialmente nos refugiados vindos de África.

1 de abril de 2014

"Centro de Documentação 25 de Abril". Ler e sonhar


Estando a data a aproximar-se, a PIDE do 25 de Abril esgazeia no encalço de peças novas a exibir não se coabindo de utilizar cartuchos impróprios para o safari. Uma das "novidades" é a projecção do Centro de Documentação 25 de Abril que dizem ser "um arquivo documental, fundamental para quem quer estudar a segunda metade do século XX em Portugal". Segundo o seu director, Rui Bebiano, o Centro começou nos primeiros anos a receber "espólios", "dádivas" de documentos ("a rondar os 4 milhões"), cartas, artigos, jornais, artefactos que contribuem para a grandiosidade da efeméride. Coisas sobre o Otelo, a Reforma Agrária, actas, recortes de imprensa sobre o Conselho da Revolução, um manuscrito sobre Salgueiro Maia, veja-se, que dizem ser o "Relatório do Fim do Regime". Também, muitas pastinhas sobre Moçambique, Angola, Guiné. Imagino. Tudo coisas para se colocar na mesinha de cabeceira, ler e sonhar. Presumo que também não faltem os depoimentos sobre as ocupações de casas, ocupações de terras, de indústrias, assaltos a fábricas, assaltos a bancos, o PREC, o MFA, o desaparecimento de munições ligeiras e pesadas dos quarteis, a FP-25, as perseguições políticas, os levantamentos nas escolas, as passagens administrativas dos alunos do propedêutico e das universidades, as intimidações nas empresas públicas, a Nacionalização das melhores empresas do país, o espancamento selectivo de cidadãos não alinhados com a situação, a destruição de património privado e público através das pinturas "de ordem", a instrumentalização ideológica da RTP, das editoras, dos jornais, a mando da esquerda sedenta de uma ditadura estalinista, a violação da correspondência que se dirigia aos meros funcionários das câmaras e bancos, a bonificação "à medida" dos "amigos da revolução", as promoções relâmpago a militares anti-ultramar. Enfim, seria interessante saber se tudo isto faz parte das "dádivas" e da temática dos Fundos de Arquivo e de Documentação.