22 de abril de 2014

Para depois


O jornalismo de ocasião não tem teclas a medir para debitar os mais estridentes factos sobre o "25 de Abril"; nem a vitória do Benfica abanou as convicções dos paineleiros e jornaleiros em marcha-a-trás alucinante. O "25" serve para tudo: para pintar paredes, para fazer poesia, para reeivindicar justiças, para ajustar salários, para criar novos partidos, para ajudar aos negócios privados!! Tanta euforia remete para uma crescente ficção onde, pelas mais variadas ilustrações, se tenta ensinar o "25". O que foi! O que é!... no fundo, o que uma cambada gostava que tivesse sido e que, ano após ano, persiste para encher milhares de Curriculuns que, não fora o "25", não passariam de uma folha em branco. Esta ilusão imaginada pela imprensa avençada aos "valores" dos, ainda, instalados é o caminho para a farsa histórica que traça caminho desde a implantação da República com sintomático agravo após o fim de Portugal. O Estado diz como nos devemos sentir, como devemos olhar, afirma-nos e dizemos que sim, porque doutro modo não nos sentimos bem, ficamos à parte dos amanhãs cantantes e não somos convidados para dançar a grândola. A história, os factos, pequenos e grandes, positivos e negativos, por certo, a objectividade, a honestidade, as traições, as mentiras, o terrorismo, as perseguições políticas, a verdade sobre o ostracismo (quase genocída) de Portugueses e de Portugueses-Africanos, ficam para depois, para o registo particular, não noticiável, só ampliado (muito) do lado conveniente para a festa.

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