14 de maio de 2014

"Até ao limite das minhas forças"

 
Num dia em que o "país" exalta com a possibilidade de um feito, através de pontapés numa bola, que, se der jeito, irão atribuir ao ser português, etc, etc, eu relembro o Herói português, Daniel Roxo, cujo nome não se exibe em placas toponímicas, ou rotundas, não baptiza salões dançantes, não é lembrado na historiografia oficial ou por chefes de estado menor. Por cá, após o 25, nunca foi nada. Em África, no tempo de Portugal, e, porventura ainda hoje, era o Leão do Niasa, o Fantasma da Floresta.
 
"(...) Mas que espécie de homem é este Roxo, este Fantasma da Floresta que é já lendário em vida, que é responsável pela segurança de toda uma cidade, que dirige operações militares sem previamente ter feito qualquer tirocínio formal como Soldado? O homem de quem os residentes de Vila Cabral dizem: “Se o Roxo ficar, ficamos; se o Roxo partir, partimos” ?
 
(...)
“Este é o único estilo de vida que aceito levar. Passo muito dia sem comer. Sem dormir. Ando semanas inteiras ao relento, dia e noite sem ter onde abrigar-me das intempéries. Reparto com os meus homens tudo o que me chega às mãos. Sei que não aguentarei sempre. Dentro de alguns anos, as forças começarão a faltar-me. Inclusivamente, não estou livre de ter um azar. Mas, enquanto puder, cá estarei de pé firme, para o que der e vier. E depois, há os homens que lutam comigo, que confiam em mim, de mim dependem. E há, sobretudo, a população em peso da província, que conta incondicionalmente comigo. Sinto-me no dever de ajudá-la até ao limite das minhas forças. É para isso que cá ando.”"


(Reportagem sobre Daniel Roxo, publicada na revista Observador, nº 14, de 21 de Maio de 1971)
(Na foto, de boina com a arma)

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