13 de junho de 2014

Porventura faz


Gosto de ler poesia. Descendo de poetas (oitocentistas), neto de poetisa, filho de um poema vivido, sempre li versos com os meus olhos de sempre, sem necessidade de me exaltar. Poucas vezes os poetas da minha afeição foram alvo de elogios públicos por parte dos "especialistas". Prosas há que detêm mais poesia numa vírgula que versificações, de nome, que nada são senão a conjugação das últimas sílabas! Nesta pátria mal amada, ser "poeta" é tudo se se lavrar uma "poesia" com o pendor ideológico correctinho e se frequentar os lugares adequados (vulgo, referências esquerdóides e marxistas). Depois há os "críticos" que fazem os poetas, que os "percebem" e os "traduzem". Entre os "génios" encontra-se, para a "crítica", o Herberto Helder, cujo último livro dizem ser filho de um “génio criador indiscutível”! Génio Criador! Sobre Criadores, o referido epíteto, dito e razurado por Rosa Maria Martelo, faz-me lembrar o meu serralheiro, Gomes Moreira. Genial, na lide e nas particularidades técnicas dos aços, Criador, pela façanha que desenvolve todos os desafios e pela singularidade da arte final, Indiscutível, pela sua qualidade. Mas fará Gomes peças poéticas como Herberto? Porventura faz. Pena que não não hajam "ensaístas" para além dos que se crivam no "papel". Tanta falta faz um Ensaio a quase tudo. Tanta poesia que não cabe em folhas de papel, que não sai dos génios criadores indiscutíveis, tão só da alma e coração de Homens que não se exibem nos jornais e nas seitas ideológicas, no amiguismo partidário, tão somente de pessoas verticais e íntegras, tão só, Poesia que se colhe da existência altruísta.

1 comentário:

Anónimo disse...

"pena que não hajam"? Hum...