26 de outubro de 2014

Da Manuela Reis a Miguel Castelo Branco


Agora, enquanto trabalho, abeiro-me de um livro cuja "lombada" me soa essencial para este entardecer. Revejo a carinhosa dedicatória ofertiva do meu amigo João Teixeira Lopes (de 1993) e fico-me pela abertura da autora Manuela Reis ("Palavras Metade", Ed. autor, Tipografia Carvalhido, Porto 1993). " Abeira-te das palavras com cuidado, escolhe-as no limite do silêncio – só aquelas que possuam a sabedoria de despertar vozes, selar pactos. Usa-as como se delas dependesse a tua vida, a dos outros, a humanidade inteira". Muito em tão poucas letras. 
 
É, também, tal qual poesia, que sigo a escrita de Miguel Castelo Branco; tão colocada no campo dos afectos como na esfera da ciência histórica, remissiva. Não conheço muitos investigadores que conjugem a capacidade de ensinar/ensaiar articulando ciência, ensaísmo, ironia, metaforismo, coragem, poesia, personalidade, independência – avessa ao pensamento escravo situacionista – no que eu desenharia como franco Conhecimento. Obrigado Miguel.

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