19 de novembro de 2014

Eu mesmo, enfim


Perdi a minha mãe aos 24 anos de idade, aos 37, depois de desbravar e cuidar do reportório que nos deixou, editei o primeiro livro de poesias escritas por ela. 
Neste tempo de paleio inócuo, tendencioso e penoso com que nos brindam as editoras e os "orgãos" de informação só me apetece folhear poesia.

"Um dia eu quis desabafar...
E fiz assim...
Pintei um lindo rosto de mulher
E sentei-a num banco de jardim!...
Depois, dei-lhe a expressão de toda a dor,
Que então sentia eu, dentro de mim!...
Sentei-me, num banco em frente a ela!
E aos poucos, descrevendo essa aguarela...
Estava-me a descrever, eu mesma, enfim!..."



Maria Amélia Camossa Saldanha Amorim de Carvalho Borges
c. 1980

In Poesia Escondida, Ed. autor. Porto, 2002

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